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:: 20/out/2021 . 21:24

Veto chinês trava 100 mil toneladas de carne e preço pode cair no Brasil

(Foto: Governo TO)

Consultoria estima que os preços podem cair de 10% a 15%, caso todo esse estoque chegue ao mercado interno

247 – O veto da China à importação de carne brasileira após a divulgação de casos de “vaca-louca” no Brasil já provocou o represamento de cerca de 100 mil toneladas de carne, estimativa da consultoria Safras & Mercado.

“Isso está represado desde o embargo. Normalmente a carne é inspecionada e despachada na sequência para os portos e de lá segue para o país de destino. Mas, com a China descredenciando o Brasil, o fluxo foi interrompido“, diz à CNN o consultor Fernando Iglesias.

Esse cenário já faz com que empresas procurem no mercado interno um destino mais rápido para o produto. A partir da coleta diária dos preços do mercado físico e dos preços do boi gordo e da carne bovina no atacado, a consultoria estima que os preços podem cair de 10% a 15%, caso todo esse estoque chegue ao mercado interno. “Os preços da carne no atacado estão cedendo, ainda não chegaram ao varejo, mas é questão de tempo”, diz ele.

O Brasil interrompeu voluntariamente a exportação de carne para a China no começo de setembro, após a confirmação de dois casos da doença em duas fábricas distintas. Depois, porém, mesmo com o controle dos casos no Brasil, a interrupção chinesa foi mantida.

A China é o principal parceiro comercial brasileiro, e foi destino de 58% dos embarques de carne bovina de janeiro a setembro de 2021, o que corresponde a US$ 3,8 bilhões.

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Confira a lista de todos os indiciados pela CPI da Covid e seus crimes

O relatório do senador Renan Calheiros identificou 29 tipos penais e sugeriu o indiciamento de 66 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro, deputados, empresários, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga

Agência Senado – Após quase seis meses de trabalho, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou oficialmente, nesta quarta-feira (20), seu relatório à CPI da Pandemia. Numa reunião que começou tumultuada, o senador leu apenas uma pequena parte das 1.179 páginas do documento, que agora ficará disponível por uma semana aos demais integrantes do colegiado.

Renan disse que está disposto a receber sugestões para “alterar e melhorar” o texto até a votação  — que será nominal e ostensiva — prevista para a próxima terça-feira (26). Na mesma data também serão apresentados votos em separados de outros parlamentares.

O relator identificou 29 tipos penais e sugeriu o indiciamento de 66 pessoas, incluindo deputados, empresários, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Foram apontados ainda crimes cometidos por duas empresas: a Precisa Medicamentos e a VTCLog.

Renan não poupou o presidente Jair Bolsonaro, que foi acusado formalmente de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade.

Na véspera da apresentação do texto, foram retiradas as acusações relativas aos crimes de homicídio qualificado e genocídio contra indígenas. As propostas não receberam apoio de outros integrantes do comando da comissão e havia dúvidas quanto à caracterização das condutas.

Três filhos do presidente também constam no relatório: o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), todos são alvos de pedido de indiciamento por incitação ao crime.

— Essa comissão colheu elementos de prova que demonstraram sobejamente que o governo federal foi omisso e optou por agir de forma não técnica e desidiosa no enfrentamento da pandemia, expondo deliberadamente a população a risco concreto de infecção em massa. Comprovaram-se a existência de um gabinete paralelo, a intenção de imunizar a população por meio da contaminação natural, a priorização de um tratamento precoce sem amparo científico, o desestímulo ao uso de medidas não farmacológicas. Paralelamente, houve deliberado atraso na aquisição de imunizantes, em evidente descaso com a vida das pessoas — acusou Renan.

Defesa 

Na reunião desta quarta-feira, novamente senadores governistas alegaram que a CPI focou apenas o governo federal, com o objetivo de desgastar o presidente Bolsonaro. Eduardo Girão (Podemos-CE), que se declara independente, disse que a comissão fechou os olhos à atuação de governos estaduais e prefeituras e virou instrumento de perseguição política. Ele pretende apresentar um voto à parte.

Antes da leitura do relatório, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), teve a oportunidade de apresentar uma defesa do governo federal por pouco mais de 20 minutos.

O senador fez críticas ao trabalho da comissão, que, segundo ele, agiu de forma política na tentativa de incriminar o presidente da República; enumerou as medidas adotadas para salvaguardar os serviços públicos e a população durante a pandemia e lembrou que o Brasil já tem hoje 151 milhões de pessoas vacinadas com a primeira dose, estando à frente, em termos percentuais, de países como Estados Unidos, Alemanha, México, Índia, África do Sul e Rússia.

— Um ato político não pode ensejar a criminalização de um residente de um país com mais de 200 milhões de habitantes. O direito não pode ser utilizado como instrumento de política. Ou se faz um relatório final técnico ou se elabora uma opinião comprometida politicamente. Não há como mesclar as duas coisas, ou seja, aparência de tecnicidade em um relatório ideológico. Impõe-se foco técnico e ausência de viés político e atuação dentro dos limites constitucionais — disse.

Apresentação de destaques 

A reunião foi aberta com a apresentação de questões de ordem dos senadores sobre a organização dos trabalhos da comissão na leitura e votação do relatório. Um dos pontos debatidos foi o direito ao pedido de destaques, para votação em separado, conforme reivindicado pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO).

O presidente Omar Aziz (PSD-AM) alegou não haver norma regimental e nem precedente em outras CPIs sobre o assunto e que não seria cabível pedido de destaque. O posicionamento recebeu o apoio de oposicionistas.

— Não se trata de uma proposição legislativa. É uma investigação e, por isso, não cabe destaque. Não se tem como mitigar o que foi encontrado pelo relator após a investigação ou melhorar um dado da realidade. Portanto não cabe destaque — avaliou Rogério Carvalho (PT-SE).

Marcos Rogério reclamou ainda do pouco tempo dado pela presidência para leitura dos votos em separado, na próxima reunião, e disse que 20 minutos não seriam o bastante para a apresentação dos textos.

Indiciamento do presidente

O representante de Rondônia também apresentou outra questão de ordem, alegando que o relatório final não poderia propor o indiciamento do presidente da República por cometimento de ilícito penal. Segundo ele, o chefe do Executivo tem um conjunto de prerrogativas de índole processual a fim de lhe assegurar o livre exercício do mandato conferido pela maioria dos eleitores. Conforme Marcos Rogério, “por conta do exercício do cargo, a situação do residente da República é sui generis, sendo diversa da situação de qualquer outra autoridade constituída”.

A questão de ordem foi indeferida pelo presidente Omar Aziz, que alegou que o Senado tem competência para julgar crime de responsabilidade do presidente e seria um contrassenso se não pudesse investigá-lo no âmbito de uma CPI. Ainda segundo ele, cabe ao Parlamento a fiscalização dos atos do Poder Executivo, em especial do chefe do Poder Executivo.

— Embora o presidente não tenha prestado depoimento ao colegiado, as imputações que lhe são feitas resultam do vasto arcabouço de documentos recebidos pela comissão, dos depoimentos colhidos, bem como do acervo de declarações públicas, gravações e postagens em redes sociais colhidas ao longo desses meses. Nenhum cidadão está acima da lei, isso vale inclusive para o presidente Jair Messias Bolsonaro! — sentenciou, irritado, Omar Aziz.

Amazonas

Já o senador Eduardo Braga (MDB-AM) considerou inaceitável que o relatório final não peça a punição de nenhum dos responsáveis pelo caos vivido no Amazonas durante a pandemia.

Para ele, não há dúvida de que houve uma série de crimes e há criminosos que agora precisam ser punidos. O parlamentar apresentou um adendo ao voto de Renan Calheiros, exigindo a punição dos responsáveis, inclusive do governador Wilson Lima.

— Nosso estado foi transformado em um verdadeiro campo de testes, com experimentos, com remédios ineficazes; falta de oxigênio, de leitos de internação e até de covas para enterrar os nossos conterrâneos. Nenhum estado sofreu tanto quanto o Amazonas. Não há nenhuma dúvida de que houve uma série de crimes e de criminosos que precisam ser punidos. Por isso, o Amazonas continua se sentindo injustiçado — afirmou Braga, que apresentou um adendo ao voto do relator sobre o tema.

Os senadores Izalci Lucas (PSDB-DF) e Soraya Thronicke (PSL-MS) também apresentaram a Renan Calheiros uma complementação de voto tratando especificamente da situação de seus estados: Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

Propostas legislativas

O vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) comunicou que, ao longo do funcionamento da comissão de inquérito, o Portal e-Cidadania, do Senado, recebeu de cidadãos, desde março de 2020, centenas de ideias legislativas relacionadas à CPI e ao drama da pandemia de covid-19.

Segundo ele, as propostas vão ser encaminhadas ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), que ainda terá tempo para acrescentar em seu voto final as propostas consideradas mais relevantes e pertinentes. O senador disse que até o dia 26 de outubro estará à disposição para aperfeiçoar seu texto.

Antes de encerrar a reunião, o presidente Omar Aziz comentou a notícia de que Jair Bolsonaro teria “dado gargalhada” quando foi informado do conteúdo do relatório de Renan Calheiros e mandou um recado ao presidente:

— O país precisa de afeto, e as imputações ao senhor e ao seu governo são sérias. Não creio que seja uma risada de alívio; pelo contrário é de temor — afirmou.

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https://www.yumpu.com/pt/document/read/65926524/relatorio-final-da-cpi-da-covid

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Lula defende auxílio emergencial de R$ 600: “o povo merece”

O ex-presidente lembrou que o PT já reivindicou que o governo desse auxílio maior e apresentou proposta para um novo Bolsa Família, no valor de R$ 600

Do Lula.com.br – Em entrevista à rádio A Tarde, de Salvador (BA), nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o presidente Jair Bolsonaro deve dar um auxílio de R$ 600 para os brasileiros pobres que passam por dificuldades. Ele lembrou que PT, há mais de cinco meses, pediu que o valor do auxílio se fixasse em R$ 600 e, além disso, o partido mandou uma proposta para a Câmara dos Deputados de um novo Bolsa Família, também no valor dos 600 reais. O ex-presidente disse não se importar que Bolsonaro possa tirar proveito eleitoral do auxílio, porque o povo merece receber o dinheiro.

“Estou vendo agora que Bolsonaro vai dar um auxílio emergencial de R$ 400 que vai durar até o final do ano que vem. Muita gente diz que a gente não pode aceitar porque é um auxílio emergencial eleitoral. Não, não penso assim. Faz mais de cinco meses que o PT pediu um auxílio emergencial de R$ 600, aliás, o PT pediu e mandou uma proposta para a Câmara dos Deputados de um novo bolsa família de R$ 600. Então, o que nós queremos é que o Bolsonaro dê um auxílio emergencial de R$ 600. Ele vai tentar tirar proveito disso? É problema dele. Se alguém acha que vai ganhar o povo porque vai dar um auxílio emergencial de R$ 600, paciência. Eu acho que o povo merece os R$ 600 e acho que ele tem que dar e nós já reivindicamos isso”, disse o Lula.

Na entrevista, Lula disse ainda que está trabalhando num plano de reconstrução do Brasil, um plano que coloque o pobre o orçamento. “Precisamos apresentar para a sociedade brasileira que tipo de política nós precisamos fazer de desenvolvimento para que o Brasil possa retomar aquilo que ele já foi”, afirmou. O ex-presidente disse ser plenamente possível fazer “uma coisa mais saudável, mais civilizada, pensar nas pessoas mais humildes”.

“Eu não acredito em nenhum modelo econômico que não coloque o pobre dentro do orçamento. Eu provei que o pobre não é problema, é solução”, disse, acrescentando que está muito otimista com a perspectiva de voltar a fazer o povo sorrir outra vez de alegria.

Questionado sobre polarização na política, o ex-presidente afirmou que é importante o Brasil recuperar o sentimento da civilidade. Para Lula, o ódio na política começou após a derrota do PSDB nas eleições de 2014 e se agravou com o golpe na ex-presidenta Dilma Rousseff. “Você pode ter um adversário político e se cumprimentarem de forma civilizada. É assim que deve ser a política. Acontece que foi estabelecido um ódio e isso não existia no Brasil. Essa guerra começou a ser estabelecida quando Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff (2014) e não aceitou a derrota eleitoral, e aumentou com o golpe contra a Dilma. Agora temos que voltar à normalidade”.

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CPI imputa a Jair Bolsonaro três crimes contra a humanidade

Além dos crimes contra a humanidade, o relator da CPI, senador Renan Calheiros, listou outros crimes cometidos por Jair Bolsonaro

Lisandra Paraguassu, Reuters – O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou nesta quarta-feira o seu relatório e anunciou que o presidente Jair Bolsonaro será alvo de três pedidos de indiciamentos por crimes contra a humanidade, além de diversos outros crimes.

Ao abrir sua leitura em sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, o relator afirmou que o resultado da CPI demonstra a omissão do governo e a intenção clara de expor a população ao coronavírus para atingir a imunidade de rebanho.

“Após seis meses de intensos trabalhos, esta Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia colheu elementos de prova que demonstraram sobejamente que o Governo Federal foi omisso e optou por agir de forma não técnica e desidiosa no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, expondo deliberadamente a população a risco concreto de infecção em massa”, disse Renan.

O senador elencou a existência de um gabinete paralelo formado por médicos, políticos e empresários, para assessorar o presidente, o incentivo para que as pessoas negassem medidas como uso de máscara e adotassem o “tratamento precoce” com medicamentos sem eficácia, e a resistência à compra de vacinas como as provas de que o governo, e especificamente Bolsonaro, apostavam na imunidade natural de rebanho.

“Essa estratégia (da imunidade de rebanho) levou o presidente Jair Bolsonaro a resistir obstinadamente à implementação de medidas não farmacológicas, tais como o uso de máscara e o distanciamento social e, sobretudo, a não conferir celeridade na compra de imunizantes, mas, em sentido oposto, a dar ênfase a cura via medicamentos, por meio do chamado ‘tratamento precoce'”, disse Renan.

De acordo com o relator, Bolsonaro usou a máquina pública para incentivar que a população seguisse com sua rotina normal, mesmo tendo informações sobre os riscos.

“A ênfase do governo foi em proteger e preservar a economia, bem como em incentivar a manutenção das atividades comerciais, inclusive, com propaganda oficial apregoando que o Brasil não poderia parar”, lembrou.

MUDANÇAS

Renan fez mudanças de última hora em seu relatório depois de uma jantar na noite de terça-feira em que os senadores independentes e de oposição se reuniram para aparar arestas.

Renan abriu sua apresentação com as justificativas para as alterações. Segundo o relator, havia dúvidas sobre a caracterização do crime de genocídio de indígenas, daí a opção por incluir mais um crime contra humanidade no texto final.

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Freixo, Molon, PDT e Psol ajudam a derrotar PEC 5, que colocaria limites ao Ministério Público

Proposta que previa alterações na composição do Conselho Nacional do Ministério Público recebeu votos contrário de parte da oposição a Jair Bolsonaro

247 com Agência Câmara – O Plenário da Câmara dos Deputados deixou de aprovar a ampliação de Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de 14 para 17 vagas, em votação nesta quarta-feira (20). O substitutivo do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 5/21 obteve 297 votos favoráveis contra 182 e 4 abstenções, mas faltaram 11 votos para obter o mínimo de apoio necessário, de 308 deputados.

Partidos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro, como o PSOL e Rede, votaram contra a PEC 5. Parlamentares do PSB, como Marcelo Freixo e Alessandro Mólon também foram contrários à medida.

Clique aqui e veja como votou cada deputado na PEC 5.

Com o resultado, o Plenário deve agora analisar o texto original da PEC apresentado pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que mantém a composição do CNMP em 14 membros mas acaba com a vaga nata do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. No lugar, a Câmara dos Deputados e o Senado vão eleger mais um conselheiro, que deverá ser membro do Ministério Público. Já o corregedor nacional do Ministério Público poderá provir de fora do Ministério Público.

Propaganda

Paulo Teixeira atribuiu a rejeição ao que chamou de “máquina de propaganda” contra a proposta. “Talvez deputados não tenham se sentido encorajados a votar. Foram 11 votos a menos e eu acredito que novas rodadas poderão amadurecer um novo texto capaz de aperfeiçoar o controle do Ministério Público”, disse.

Para ele, houve um “clima nacional” contra a proposta sem levar em consideração as mudanças feitas pelo relator, deputado Paulo Magalhães. “O Ministério Público fez uma propaganda daquele texto que já não existia mais e isso cria um clima nacional contra a PEC”, disse.

Corregedor

A escolha do corregedor foi um dos pontos mais polêmicos na votação do substitutivo. Paulo Magalhães defendeu que o corregedor fosse eleito pela Câmara e pelo Senado, a partir de uma lista de cinco procuradores-gerais ou ex-procuradores-gerais de Justiça, dos Ministérios Públicos dos Estados.

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) questionou a escolha do corregedor nacional do Ministério Público pelos parlamentares. “Na Constituição não havia esta ideia de o Poder Legislativo controlar o Ministério Público. Muito pelo contrário, a ideia era tornar o Ministério Público autônomo para combater irregularidades.”

Já o deputado Henrique Fontana (PT-RS) elogiou o novo rito de escolha do corregedor. “Os 513 deputados são um colégio eleitoral mais qualificado para escolher um corregedor independente, do que se fosse escolhido por apenas 14 pessoas. Não podemos ter um CNMP especializado em proteger a corporação, nem tampouco um corregedor que a ataque”, ponderou.

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O perverso ecossistema que viabilizou a política de morte de Bolsonaro na pandemia

CPI diz que o Governo federal poderia ter prevenido a morte de 120.000 pessoas com medidas simples, mas optou pro apostar na imunidade de rebanho. Papel das Forças Armadas foi reduzido no relatório

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia desenha o perverso ecossistema de ação do Governo Bolsonaro que levou à morte mais de 600.000 brasileiros vítimas da covid-19. E define também os contornos de uma opção ideológica: colocar a economia à frente da responsabilidade do Estado de preservar vidas. A aparente desorganização do Governo federal à frente da gestão da crise sanitária teve como pano de fundo a estratégia de desincentivar a adoção de medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, para apostar na imunidade de rebanho ―termo originado no controle de infecção entre animais com vacinação. A crença era de que a disseminação livre do vírus faria com que mais pessoas fossem naturalmente imunizadas. Enquanto isso não acontecesse, fórmulas mágicas como a cloroquina, por meio do chamado tratamento preventivo, dariam esperança de cura à população. “Se a imunidade de rebanho era o fim a ser perseguido, a cloroquina era o método. Essas ações, somadas ao atraso das vacinas, teriam como resultado muito provável a propagação da covid-19″, destaca a CPI.

Fonte: EP

​​Bolsa Família completa 18 anos, mas maioridade chega com retrocesso

É inadmissível que estejamos vendo, impassíveis, cenas de busca de comida no caminhão do lixo, ossos sendo disputados nos açougues, fome e anemia entre as crianças e suas famílias como algo natural

Há exatos 18 anos – completos nesse 20 de outubro – o Bolsa Família surgia. Na data em que atinge sua maioridade, no entanto, o popular programa de transferência de renda é citado em artigos e manifestos, não apenas por seu impacto em diversas esferas da sociedade brasileira ao longo dos anos, mas também pelo fato de estar sendo aniquilado pelo governo Bolsonaro.

No lugar do Bolsa Família, nome comumente vinculado aos governos petistas, o presidente Jair Bolsonaro propôs ao Congresso Nacional, em agosto deste ano, a criação do Auxílio Brasil por meio da Medida Provisória (MP) 1061/2021.

Em manifesto lançado nessa quarta-feira (20), trabalhadores estaduais e municipais do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família anunciaram ser contra o que consideram um “retrocesso da transferência de renda no Brasil”.

Ao citar que trabalham diretamente com mais de 30 milhões de famílias inseridas no Cadastro Único, o equivalente a 35,6% da população brasileira, os trabalhadores afirmam que visitam essas pessoas em suas casas, as recebem nos postos fixos ou em mutirões e que são, portanto, “testemunhas oculares de suas realidades”.

Atualmente, 44 milhões de pessoas são beneficiárias do programa. Ainda no manifesto, os trabalhadores ressaltam que não são contrários a mudanças no Bolsa Família e que, inclusive, consideram ter contribuições a fazer nesse sentido. “O que não concordamos é acabar com um programa exitoso”, alertam, “para impacto eleitoral”.

Medida Provisória que cria o Auxílio Brasil 

A não apresentação dos perfis a serem considerados em pobreza ou extrema pobreza, a não definição dos valores dos benefícios e a não resolução da fila de espera, são algumas das críticas feitas no manifesto à MP de Bolsonaro.

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, as economistas Sandra Brandão e Tereza Campello – que foi ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante o governo Dilma – criticam com veemência o “silêncio dos arautos da austeridade” diante da mutação imposta ao Bolsa Família.

2021 torna o programa oneroso e complexo ao criar nove benefícios diferentes; dificulta o acesso ao centrar a atuação do Estado no aplicativo e abandonar o Cadastro Único; desqualifica a relação humanizada e secundariza a cooperação federativa.

“A proposta enviada pelo governo Bolsonaro, além de frágil tecnicamente, é ainda ilegal”, sustentam as pesquisadoras. Isso porque a MP cria uma despesa continuada sem que se saiba qual será seu gasto, sem proposta orçamentária e, caso seja criada por meio da postergação do pagamento de precatórios, pode ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Há um crime em curso contra os pobres do Brasil, e o silêncio é ensurdecedor”, denunciam Campello e Brandão.

O Bolsa Família ao longo de seus 18 anos

De acordo com o IPEA, entre 2003 e 2018 o Bolsa Família diminuiu em 15% os índices de pobreza no Brasil e em 25% os de extrema pobreza.

Entre alguns de seus impactos indiretos, segundo relatório do Banco Mundial, estão a redução das taxas de repetência escolar, a diminuição no tempo de trabalho doméstico para meninas, a maior autonomia financeira das mulheres, o aumento no consumo de alimentos, a queda nas taxas de anemia e a redução em 58% na mortalidade de crianças por desnutrição.

Além disso, estudos recentes apontam que, com a melhoria das condições de vida, 69% das famílias que foram pioneiras em serem contempladas já abriram mão do programa e se mantêm atualmente com outros rendimentos.

 

Edição: Leandro Melito

Equador, um país onde as balas não distinguem bairros nem horários

Guayaquil é o epicentro de uma onda de violência que tirou 12 vidas só no domingo e 1.885 em 10 meses

As balas não distinguem mais entre vítimas de ajuste de contas e cidadãos comuns que cruzam com a delinquência. O nível de violência em Guayaquil, a maior cidade do Equador, levou a presidente do país, Guillermo Lasso, a decretar estado de exceção em todo o território nacional nesta segunda-feira, quando ainda não completou nem cinco meses de mandato. A medida permite a mobilização de militares para, junto com os policiais, patrulharem as ruas durante 60 dias, tentando controlar uma onda de homicídios que deixou 12 vítimas na véspera do anúncio oficial.

Os crimes ocorrem em qualquer bairro, a qualquer horário. No domingo à tarde, um menino de 11 anos morreu dentro de uma sorveteria, atingido por quatro tiros em meio a um confronto entre um ladrão e um policial. Uma mulher de 33 anos foi assassinada nesta terça-feira, primeiro dia do estado de emergência, ao resistir a um assalto depois de sair com 6.000 dólares (33.500 reais) de um banco. Uma loja de artigos domésticos foi invadida por ladrões que levaram 80.000 dólares (quase 450.000 reais). Duas pessoas foram baleadas em assaltos na semana passada enquanto faziam fila para entrar num banco. Uma idosa levou um tiro no rosto e caiu desabada na rua, no fim de setembro, quando tentou defender seu marido de dois homens que apareceram de moto e o agrediram para roubá-lo. Os casos se repetem diariamente.

“Isto é uma guerra”, declarou o governador de Guayas, a província onde fica Guayaquil. “O que estamos vivendo hoje é o que vivia a Colômbia nos anos 1980 e 90, compara Pablo Arosemena, referindo-se ao impacto do narcotráfico e dos crimes por encomenda na vida cotidiana. “Ver uniformes militares nas ruas tem um simbolismo. Estão dizendo: ‘Estamos entrando com força’ para proteger o cidadão”, interpreta o acadêmico Fernando Carrión, especializado em segurança da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). Ele não acredita, porém, que dois meses bastem para resolver definitivamente um problema que tem duas vertentes: a da delinquência alimentada pela pobreza e a penetração do narcotráfico no Equador. Segundo os últimos dados oficiais, há 5,2 milhões de pessoas vivendo na pobreza e pobreza extrema numa população de 17 milhões, uma situação agravada pela pandemia e pelos confinamentos destinados a conter a propagação do vírus. Só 3 em cada 10 pessoas têm um emprego formal.

Os criminosos agem atualmente em plena luz do dia, em zonas residenciais, em shoppings e em qualquer circunstância, com mais assiduidade do que antes. Roubam quem está parado num semáforo, puxam celulares e bolsas pelas janelas dos ônibus, param um carro no meio do tráfego para levá-lo, entram em casas mesmo com os moradores dentro, invadem em ônibus com facões ou pistolas para roubar os passageiros, ou depenam em menos de cinco minutos carros que estão estacionados na porta das casas.

O Governo alega que o Equador vem se tornando um país de consumidores de droga, que roubam para satisfazer seu vício, mas eles não são o único problema. Os homicídios, inclusive os cometidos por pistoleiros, refletem um novo papel do país no mundo das drogas. Isto, por sua vez, tem relação com o descontrole no sistema carcerário e com os violentos motins dos últimos anos, como o da Penitenciária do Litoral, em Guayaquil, que deixou 118 mortos há duas semanas.

Segundo Carrión, o Equador se reposicionou no panorama internacional do narcotráfico porque está em um local estratégico. Por um lado, é vizinho dos dois maiores produtores: Colômbia e Peru. Por outro lado, está dentro dos dois corredores de comercialização: para os Estados Unidos via oceano Pacífico, e para o Brasil via região Amazônica, que, além disso, conduz à Europa, Ásia e Oceania.

Esta tese coincide com as declarações oficiais e a decretação do estado de emergência. “Mais de 70% das mortes violentas que ocorrem em Guayas estão de alguma forma relacionadas com o tráfico de drogas”, disse o presidente Lasso. Ele decretou o estado de emergência justamente nas seis províncias da zona costeira onde é mais intensa a atividade criminal ligada ao tráfico de drogas.

Os incidentes, que antes aconteciam a conta-gotas num país cuja população está adestrada a evitar riscos, agora se tornou uma enxurrada de episódios violentos. Os equatorianos, especialmente os de Guayaquil, estão aterrados e começaram a modificar seus hábitos para não se exporem a uma delinquência que, segundo o decreto presidencial de emergência, causa “grave comoção interna” no país.

A percepção da opinião pública se confirma nas cifras da polícia. Faltando dois meses e meio para 2021 acabar, o país soma 1.885 homicídios, superando os 1.372 do ano passado e os menos de 1.200 de 2019. Guayaquil e arredores concentram 27% dos assassinatos. Não são só ajustes de contas entre quadrilhas que disputam o território, como era habitual ler até agora nos boletins de ocorrência. Também são vítimas de assaltos que acabam mal.

O Ministério Público mantém um balanço que, apesar das cifras, não reflete a dimensão real da delinquência, porque nem todos os delitos são denunciados. Em 2021, houve 16.017 roubos até agosto – uma média de 66 por dia, com um significativo aumento a partir de junho, quando a vacinação contra a covid-19 catapultou a reativação das atividades. Há dois anos, haviam sido 20.121. Guayaquil e Quito, as duas maiores cidades equatorianas, reúnem metade da incidência de crimes. Para estes casos, aponta o acadêmico da Flacso, não serve a mesma receita que contra o crime organizado. Na opinião dele, é preciso estabelecer políticas públicas com reformas do Judiciário e do Ministério Público e estratégias sociais. “Não basta a presença do uniforme militar nas ruas.”

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Acusado de crime contra a humanidade na CPI receitou dose inédita de proxalutamida a paciente com covid-19

Flávio Cadegiani é o médico responsável por estudo com a mesma droga que pode ter levado à morte de 200 pessoas. Caso correu em Brasília, na clínica particular do endocrinologista, onde ele fez tratamento com um remédio em fase de testes sem respaldo ético e científico necessário

Nos primeiros meses deste ano, um homem de 28 anos infectado pelo novo coronavírus procurou a clínica particular Instituto Corpometria, em Brasília, para tratamento com o endocrinologista Flávio Adsuara Cadegiani. Segundo relatório publicado sobre o caso na revista britânica British Medical Journal (BMJ) em 15 de fevereiro, o paciente fazia uso diário de um anabólico esteroide que agravou seu diagnóstico, com piora dos sintomas da covid-19 quatro dias antes da consulta. Em seu tratamento, o homem recebeu uma dose de 600mg de proxalutamida, seguida de 200mg diários pelos sete dias seguintes. O fármaco não possui registro no Brasil e foi utilizado pelo médico sem a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), numa dose jamais aplicada oficialmente em um ser humano. Cadegiani é também o médico responsável por um estudo clínico com o mesmo medicamento em três Estados que virou alvo de denúncias da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) pela possibilidade de ter levado à morte 200 pessoas.

O endocrinologista foi inserido entre as 68 sugestões de indiciamento no relatório da CPI da Pandemia, que chegou à reta final nesta semana, por crime contra a humanidade. “Há fortes indícios de violação de direitos humanos dos participantes desse estudo pelo Dr. Flávio Adsuara Cadegiani, com a indevida utilização de proxalutamida, fármaco cujo uso também era defendido pelo Presidente Bolsonaro”, diz o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), submetido nesta quarta aos membros da CPI da Pandemia. Para o relator da CPI, as pesquisas com proxalutamida, “fraudulentas e não autorizadas”, indicam “que seres humanos foram utilizados como cobaias”.

El País



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