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Maquiagem sem defeitos: veja passo a passo completo da preparação de pele

Uma maquiagem impecável não significa que ela tenha que ter muitos produtos ou que a base precisa ter cobertura alta para cobrir todas as imperfeições do rosto. Isso é um mito que vem sendo desmitificado por uma corrente de maquiadores que sabem como preparar uma boa pele e te deixar linda durante todo o dia. Saber os primeiros passos da maquiagem é fundamental para um resultado mais bonito. Vem conferir!

Uma maquiagem perfeita nem sempre é sinônimo de muitos produtos ou de produções mais elaboradas. Muitas pessoas gostam de maquiagem, usam bons produtos, mas não entendem o verdadeiro motivo de a maquiagem não durar o dia inteiro. Para isso, o Purepeople conversou com alguns maquiadores que explicaram um passo a passo completo de uma maquiagem com efeito bonito, sem excessos e muito eficiente. É claro que os fixadores de maquiagem ajudam muito na duração , mas como conseguir um efeito bonito de pele viçosa e natural? Preparadas? Às dicas!

1 – LIMPAR, TONIFICAR E HIDRATAR É O PRIMEIRO GRANDE PASSO PARA INCIAR A MAQUIAGEM

Walter Lobato, maquiador queridinho de Agatha Moreira , Vitória Strada e outras celebridades, afirma que a limpeza de pele é um dos principais passos para dar início à maquiagem. “Usar um sabonete ideal para o seu tipo de pele para retirar as impurezas, em seguida passar um tônico embebido no algodão para tonificar e controlar o ph da pele e depois hidratar o rosto com um hidratante adequado para o seu tipo de pele é fundamental para conseguir um efeito bonito e para os produtos não craquelarem”, comenta.

2 – PRIMER PARA MINIMIZAR OS POROS E CONTROLAR A OLEOSIDADE

O expert das globais também aposta em primers hidratantes, que dão esse efeito de poros minimizados e um toque mais aveludado à pele. Há a possibilidade também de aplicar primers em determinadas regiões da pele, não necessariamente o mesmo produto. Há primers faciais multifuncionais e outros que são específicos para a real necessidade de cada região, como matificar ou reduzir as imperfeições com um efeito blur.

3 – POUCO PRODUTO AO APLICAR A BASE

É muito importante a pessoa entender que não é necessário aplicar tanto produto no rosto para ter uma cobertura eficiente e uniforme na pele. Em muitos casos, o excesso de produtos na pele pode até craquelar a maquiagem e o efeito não é nada legal. Além disso, ao depositar pouco produto no centro do rosto e espalhar sempre de dentro para a fora, garante uma construção da cobertura e deixa o efeito mais natural. Atenção, para os pincéis. O formato de língua de gato dá uma cobertura maior, já os que são duo-fiber, com cerdas sintéticas, tem a função de depositar e polir a pele, sempre com movimentos circulares, explica Lobato.

4 – CORRETIVO É UM GRANDE ALIADO, MAS REGIÃO DOS OLHOS PRECISA ESTAR HIDRATARA

O corretivo serve para cobrir manchas de olheiras ou pequenas imperfeições no rosto. No mercado há uma gama variada de acabamentos e efeitos que iluminam e corrigem a pele. Dá até para fazer uma pele toda só com o corretivo, para uma cobertura mais leve e natural. Não é necessário usar a base todos os dias. O grande truque para um acabamento mais natural é usar o dedo anelar, que é mais delicado, dando leve batidinhas. É extremamente importante que a região dos olhos esteja hidratada, para o produto não marcar as linhas no momento da aplicação.

5 – USAR O PÓ PARA FIXAR A MAQUIAGEM E PARA DAR VIÇO

Luciana Pessinato, maquiadora da Laura Mercier, explica que o pó é o passo mais importante para fazer com que uma maquiagem dure o dia inteiro. Ele serve tanto para selar o corretivo e fazer com que o produto não saia do lugar, ou marque linhas finas, como para reduzir a oleosidade da pele. “É o pó que vai garantir uma maquiagem de longa duração, sem que a pessoa se preocupe se a maquiagem ainda está no local onde foi depositada”. E há inúmeros acabamentos de pós: os que são matificantes, os que dão viço chamados de finalizadores da maquiagem, e os fixadores, os famosos setting powders. Com os fixadores, a aplicação ideal é com uma esponjinha, pressionando o produto de forma delicada na região. Já os finalizadores, um pincel próprio para pó é o suficiente para tirar a oleosidade da pele, principalmente na zona T (testa, nariz e queixo). O maquiador Walter Lobato comenta que para uma maquiagem com efeito natural, não é necessário aplicar o pó em todo o rosto.

6 – DEPOIS DA PELE PRONTA, A ARTE DE BRINCAR COM AS CORES

Após uma preparação de pele power, como foi explicada pelos maquiadores, chegou a hora de brincar com as cores. É hora de se jogar em um color blocking na maquiagem, com cores vibrantes nos olhos, ou sombras metalizadas que estão com tudo nessa temporada e no Verão 2019, como vimos na beleza do desfile do Minas Trend. Além disso, tons de vinho, marrom e até o dourado na boca são ótimo para causar um impacto sem muita produção. Os pigmentos metalizados também podem ser usados nos lábios, dando um efeito mais moderninho ao look. O que não falta é ideia para uma maquiagem incrível, mas os primeiros passos são fundamentais para uma maquiagem com efeito bonito, natural e duradouro.

(Por Bianca Lobianco)

O caótico início de Governo de Bolsonaro

Ultradireitista completa cem dias no comando da maior potência econômica da América Latina com uma gestão errática, dois ministros destituídos e divisões no Gabinete

Na cerimônia para comemorar seus 100 dias no poder, na última quinta-feira, o Presidente do Brasil se orgulhou de conquistas, agradeceu sua equipe e fez uma confissão: “De vez em quando pergunto a Deus, o que eu fiz para estar aqui?”. É provável que algum outro mandatário já se tenha feito essa pergunta, o que chama a atenção é que o líder do quinto país mais populoso do mundo, da maior potência econômica da América Latina, o faça. Essa franqueza entusiasma seus fiéis. Mas Jair Bolsonaro já havia respondido dias antes, em uma entrevista, quando atribuiu a seu filho Carlos, apelidado de Pitbull, o mérito de sua aterrissagem no elegante Palácio do Planalto.

“Ele que me colocou aqui. Foi a mídia dele que me botou aqui”, admitiu o militar reformado e veterano deputado. Bolsonaro é sem dúvida o presidente mais atípico do Brasil desde o final da ditadura. Não só porque o Facebook foi essencial na vitória do ultradireitista, e sim porque preside um Governo dividido em grupos cuja trajetória iniciada em 1 de janeiro tem sido errática, com divisões internas, estridente nas formas e com cargas de profundidade contra as instituições.

Em somente três meses, o presidente destituiu dois ministros e causou indignação dentro e fora do Brasil por encorajar o Exército a comemorar o golpe de Estado de 1964 e afirmar, em Israel, que “não há dúvidas de que o nazismo foi um movimento de esquerda”. Historiadores alemães, entre outros, o desmentiram.

E enquanto procura apoio parlamentar para que seus dois grandes projetos – a reforma da insustentável Previdência e as leis para combater o crime e a corrupção – avancem no Congresso dividido, o Brasil fez novos amigos na arena internacional. Mas a economia continua em crise enquanto a oposição está desaparecida e o presidente se empenha em destruir a credibilidade da imprensa e das próprias instituições do Estado.

Capital dilapidado

O nacional-populista começou com enorme capital político graças a sua contundente vitória e à enorme confiança dos mercados. Mas o dilapidou até se transformar no presidente com pior avaliação no primeiro trimestre, de acordo com o Datafolha. O Governo é ruim ou péssimo para 30%, regular para 33% e bom ou ótimo para os outros 32%. Seus eleitores o elegeram porque encarnava uma mudança radical. Acreditaram que mudaria o sistema e ressuscitaria a economia, mas o começo foi acidentado. Em um país obcecado por quantificar tudo, a imprensa se encheu de balanços. O jornal Globo afirma que o presidente cumpriu integralmente 18 e parcialmente 17 de suas 35 promessas para os 100 primeiros dias. De facilitar a posse de armas ao pagamento do 13° para 13 milhões de família pobres que recebem o Bolsa Família.

Expectativas

Para 60% dos entrevistados pelo Datafolha, ele fez menos do que o esperado. Ao analisar até que ponto cumpriu as expectativas, a professora Tassia Cruz da Fundação Getúlio Vargas divide seus eleitores em três grupos. “Para os que o elegeram porque não era o PT de Lula, com um desejo de renovação política, de separar a Presidência dos escândalos de corrupção, de ter um Governo de técnicos e políticas públicas eficazes, certamente ele não esteve à altura”, diz. Os atraídos por sua agenda liberal na economia “ainda têm esperanças de uma melhora”, acrescenta. Mas a especialista afirma que Bolsonaro governa para o terceiro grupo, os que abraçam seu discurso sem questionamentos. “Ainda que representem uma minoria de seus eleitores, são os mais barulhentos nas redes sociais gerando uma imagem de satisfação com o desempenho do presidente”. Aí está a mão hábil de seu filho Carlos, o estrategista na Internet, onde o presidente tem 26 milhões de seguidores entre uma população presa ao universo paralelo das redes. Seu agradecido pai diz que ele merece um ministério.

Bolsonaro posa ao lado de sua equipe ministerial no evento que celebrou 100 dias de Governo, em Brasília, na última quinta-feira.
Bolsonaro posa ao lado de sua equipe ministerial no evento que celebrou 100 dias de Governo, em Brasília, na última quinta-feira.ADRIANO MACHADO / REUTERS

Economia

É o terreno em que se disputa a batalha crucial. E do qual o presidente não faz a menor ideia. “Não sou economista, já disse que não entendo de economia”, admitiu na sexta-feira após sua intervenção para que a Petrobras não subisse o preço do diesel, por medo de que os caminhoneiros paralisassem o país, fazer com que a empresa estatal perdesse 32 bilhões de reais na Bolsa. É o clássico desatino de Bolsonaro. Após uma breve recessão, a economia cresce, mas fracamente. O mandato presidencial começou com uma sucessão de recordes na Bovespa e privatizações iniciais, mas esse otimismo não se traduziu em melhoras tangíveis à população. O desemprego subiu para 12,4% enquanto se sucedem as diminuições nas previsões de crescimento econômico. A última, do Itaú, o maior banco privado, de 2% a 1,3% para 2019.

Disputas com o Congresso

Um discurso raivoso, nostálgico da ditadura, homofóbico e racista deu fama a Bolsonaro, mas ele só teve duas leis aprovadas em três décadas. Com somente 54 deputados, precisa forjar maioria importante em um Congresso com 513 integrantes para aprovar a nova Presidência, vital para sanear as contas públicas e fazer com que a economia volte a crescer com força. Bolsonaro, que parece ter melhor instinto do que visão estratégica, logo se chocou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que o acusou de acreditar que “governar o Brasil é brincadeira de criança”. O outro projeto fundamental é o criado pelo juiz Sérgio Moro, o mais popular do Gabinete, para acabar com a insegurança e a corrupção.

Novos amigos

O capitão reformado, cujo lema é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, se alinhou com os EUA e Israel além de exigir o fim do chavismo na Venezuela. Uma revolução para uma diplomacia conhecida por sua sutileza. Bolsonaro pode se orgulhar dos acordos que conquistou em sua visita a Donald Trump, mas por enquanto não mudará a Embaixada para Jerusalém.

Família

Os Bolsonaro são um clã com três filhos estrategicamente situados em diversos Legislativos. A enorme influência de Carlos e seus irmãos no patriarca causou importantes brigas dentro do Gabinete com humilhantes gestos públicos. Foi Eduardo, deputado e ligação com o movimento nacional-populista, e não o ministro das Relações Exteriores, que esteve no Salão Oval com os presidentes Bolsonaro e Trump. Flávio, o primogênito, é o flanco pelo qual aparecem as suspeitas de corrupção porque o também senador é investigado por receber pagamentos irregulares. E ligações suspeitas com as milícias do Rio rondam a família há anos.

Barulho

As polêmicas pelo que diz e faz são cotidianas. Envergonhou parte de seus compatriotas com um vídeo vulgar de Carnaval, repassou uma acusação falsa contra uma jornalista feita pelos bolsonaristas na Internet, no Dia da Mulher disse que seu Governo era igualitário mesmo com somente duas mulheres entre seus 22 ministros… Cem intensos dias que incluíram até mesmo uma operação cirúrgica.

Fonte: El País

Rio dos bois, uma cidade que vive à espera de um médico

Município do Tocantins que ganhou primeiro médico na atenção básica com o Mais Médicos volta à situação de cinco anos atrás, após desistência de profissional que substituiu cubano

A cidade de Rio dos Bois, no Tocantins, revive uma situação que parecia ter superado há cinco anos: a falta de um médico fixo e o atendimento diário. Localizada a 123 quilômetros da capital Palmas, o município ganhou seu primeiro médico na atenção primária ao aderir ao Mais Médicos e, com o programa federal, passou a ofertar atendimento nos cinco dias úteis da semana para seus 2.800 habitantes no único posto de saúde da cidade. Foi uma conquista, embora o município seguisse distante de atingir o parâmetro de atenção considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um profissional para cada mil habitantes.

Quando Cuba decidiu encerrar a cooperação com o Brasil, em novembro passado, a cidade perdeu o médico cubano que atendia no posto, mas chegou a ter a vaga substituída por uma profissional brasileira. Três meses depois de começar a trabalhar, a médica renunciou ao programa, segundo funcionários da saúde do município, porque passou em um concurso em Goiânia — abriu-se, assim, uma das 1.052 vagas ociosas por desistências no Brasil que foram anunciadas pelo Ministério da Saúde. A vaga ainda não foi reposta, e já faz dois meses que Rio dos Bois oferece atendimento médico apenas dois dias na semana. Isso porque o município, que já financiava um plantonista para atender no único dia útil em que o profissional “titular” era liberado para atividades de formação previstas no programa, dobrou a carga horária dele.

“Como tem dia que não tem médico aqui, quando a gente tem uma dor mais forte vai mais é pra Miracema [a cidade vizinha, que fica a 47 quilômetros de Rio dos Bois]. Lá é mais certo ter médico, e eles passam um remédio pra passar a dor”, diz o morador Milton Medeiros de Morais, 27 anos, que trabalha na limpeza de um posto de gasolina do município. Ele conta que os profissionais do posto de saúde atendem bem aos pacientes, mas lamenta que só tenha médico nas quartas e quintas. “O atendimento  um pouco apertado depois que a médica saiu, mas pelo menos o município de referência fica perto”, afirma uma funcionária da saúde municipal, que não quis ser identificada, ao explicar que Rio dos Bois disponibiliza ambulâncias e carros pequenos para levar até Miracema os pacientes cujos casos não podem ser resolvidos ali. “Graças a Deus pelo menos ambulância a gente tem e basta ligar que a gente consegue ir [para Miracema]. Por que médico aqui não é todo dia”, declara Milton.

Ainda assim, ele conta que só se submete a esta viagem — que dura em média 45 minutos — em casos mais graves e que se acostumou a usar plantas medicinais e chás para cuidar da própria saúde.  “Eu tomo mais é remédio do mato. Todo dia eu faço uma garrafadinha [com mel e plantas] e tomo um pouquinho. Tem uns pezinhos de planta na minha casa, pense como é bom”, diz. O morador tem uma doença nos rins, mas diz que reduz as idas ao médico porque pode comprar os remédios que toma regularmente na farmácia com o salário que ganha na limpeza do posto de gasolina. Algo que nem todos da cidade podem fazer, já que quase metade da população (46%) vive com menos de meio salário mínimo — 499 reais — por mês, segundo dados do IBGE.

Os indicadores de saúde de Rio dos Bois também não são animadores. A taxa de mortalidade infantil média na cidade — de 22,73 óbitos para 1.000 nascidos vivos — é bem maior que a média nacional — de 14. Além disso, as condições urbanas não ajudam: apenas 2,5% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, uma estrutura importante para evitar doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, que são enfermidades geralmente tratadas e prevenidas justamente com a ajuda dos profissionais da atenção básica.

O EL PAÍS entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Rio dos Bois para saber os impactos da ausência de médico fixo na cidade, mas a secretária Maria Vitalina não quis dar entrevista, afirmando que havia outros municípios na mesma situação. Ela se limitou a explicar que seria mais adequado conseguir as informações com a coordenação do Mais Médicos no Tocantins. Esta, por sua vez, afirmou que havia previsão de a vaga de médico ser ocupada na próxima semana por um profissional remanejado de outra cidade, mas não especificou qual era. O Ministério da Saúde também não confirmou essa reposição.

Pelo menos outras 18 cidades, localizadas em nove Estados diferentes, estão sem médicos na atenção básica por conta da desistência dos brasileiros que substituíram os cubanos no programa federal. Os dados são de um levantamento feito pelo EL PAÍS ao cruzar a lista de municípios com desistência disponibilizada pelo Ministério da Saúde com a lista de cidades que dependem exclusivamente do programa feita pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). A estimativa do Conselho considera municípios que têm apenas uma Equipe de Saúde da Família (ESF) participante do programa cujo médico responsável por ela até novembro era cubano.

O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, diz que o provimento das vagas está garantido por lei e que o ministro Luiz Henrique Mandetta teria prometido a reposição nas cidades vulneráveis ainda no mês de abril. “A ideia é que seja já dentro do [novo programa] Mais Saúde, mas ainda não conhecemos a proposta como um todo”, afirma. Mandetta anunciou que enviaria ao Congresso uma nova proposta para substituir o Mais Médicos ainda neste mês.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que lançará o Mais Saúde “em algumas semanas”, mas ressaltou ter publicado uma portaria estendendo para seis meses o prazo de pagamento da verba para custeio de outros profissionais das unidades básicas de saúde para que os municípios não perdessem verba após dois meses sem médico, como determinava a portaria anterior. O Ministério paga 11.800 reais de salário dos médicos pelo programa e repassa 4.000 para ajudar no custeio das equipes que contam com esses profissionais. “Essas localidades que perderam profissionais do Mais Médicos poderão utilizar os recursos também para contratar seus próprios médicos”, sugere a pasta.

Uma conta difícil de fechar

Mas a desistência dos brasileiros não é o único buraco no programa. Antes de o Governo cubano retirar os médicos do país, descontente com as condições impostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), já havia vagas ociosas. Além disso, a finalização de contratos anteriores também abriu novas vagas, já que o Governo federal renovou os contratos apenas dos profissionais das cidades mais vulneráveis — uma política que pretende seguir na reposição daqui em diante. Os cerca de 1.400 brasileiros formados no exterior que escolheram as vagas do último edital deveriam ser homologados a última sexta.

O Conasems estima que, considerando apenas os cenários das desistências dos brasileiros e das vagas que já estavam ociosas antes da saída dos médicos cubanos, há mais de 2.000 vagas desassistidas em todo o país. “É natural isso de o profissional assumir o compromisso e mudar de ideia. Faz parte, mas o Ministério está discutindo um novo formato de chamamento público, em que seja possível ter tipo um cadastro reserva, para chamar outro profissional mais rápido, sem a necessidade de um novo edital. Isso vai nos dar mais tranquilidade”, explica Junqueira.

Há um impasse no debate entre os municípios e o ministro sobre a reposição: Mandetta já afirmou que só vai chamar médicos para as cidades que se enquadrarem nos níveis de maior vulnerabilidade porque entende que capitais e cidades da região metropolitana não necessitariam do programa. Os dirigentes municipais não concordam. “O direcionamento do Mandetta está correto dentro dos parâmetros desenvolvidos por lei, de repor em áreas mais vulneráveis. Mas as capitais têm sim áreas de muita vulnerabilidade. Estamos tentando convencê-lo de que devem ser observadas os bolsões de pobreza desses locais”, afirma Junqueira.

CIDADES SEM MÉDICO FIXO NA ATENÇÃO BÁSICA

Moiporá (GO)
Albertina (GO)
Carmésia (MG)
Wenceslau Braz (PA)
Frei Martinho (PB)
João Costa (PI)
Carlos Gomes (RS)
Doutor Ricardo (RS)
Eugênio de Castro (RS)
Sério (RS)
Alto Bela Vista (SC)
Maracajá (SC)
Rancho Queimado (SC)
Charqueada (SP)
Dumont (SP)
Oscar Bressane (SP)
Ipueiras (TO)
Santa Maria do Tocantins (TO)
Rio dos Bois (TO)

Vamos falar (bem) da ansiedade?

Uma nova perspectiva pretende desmontar o estigma que envolve os transtornos mentais

Capa da revista ‘Anxy’ sobre a raivaGETTY IMAGES/VETTA

Antes se dizia que alguém estava “atacado dos nervos”. Era o comentário sobre o colega de trabalho de licença ou a amiga que ficava dias inteiros na cama, uma forma de resumir o que não se queria ou não se sabia nomear.

Já não se diz “problemas nervosos”, soa antiquado e simplista. Sabemos que cerca de 260 milhões de pessoas são diagnosticadas com ansiedade no mundo, segundo os dados da OMS, e 300 milhões com depressão, a principal causa mundial de incapacitação. O número de doentes por depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015, segundo a mesma organização. Para além do debate acalorado sobre se as condições de vida atuais provocam mais depressão ou simplesmente é que a detectamos melhor do que no passado, a verdade é que o léxico relacionado a transtornos mentais invadiu nossas vidas. Com mais ou menos noção nos referimos a crises de ansiedade, mas também usamos com rapidez frases como “depressão pós-férias” (para dizer que estamos tristes de voltar à rotina depois do verão). Isso não significa de forma alguma que as doenças mentais estejam normalizadas. A saúde mental continua sendo objeto de preconceitos, tão fortes que há quem, como o psicólogo especializado Stephen Hinshaw, os compare com os que em outras épocas sofriam os doentes de lepra.

“O estigma social, familiar ou profissional é mais forte do que qualquer sintoma de nosso transtorno”, afirma taxativamente Daniel Ferrer Teruel, da associação ActivaMent. O tabu, afirma, é transversal, afeta todas as camadas sociais e passa de geração em geração. Por isso os ativistas dessa causa ainda lutam contra a discriminação profissional e social, e contra medidas como as correias em hospitais ou a medicação forçada, que consideram violações dos direitos humanos.

A cultura reforça os clichês herdados. Uma análise de 20.000 diálogos de programas de televisão de 2010 concluiu que retratavam pessoas com doenças mentais como “temíveis, causadoras de vergonha e sofredoras”, e 70% das vezes como violentas, um dos estigmas mais persistentes e danosos. Os especialistas repetem à exaustão que só em torno de 3% da população, independentemente de seu estado mental, apresenta condutas agressivas. Mas o dado fica eclipsado por notícias que destacam os quadros clínicos de assassinos e agressores. Preferimos uma explicação ruim — uma que nos diferencie e nos afaste dos loucos, que nos diga que estamos a salvo — do que nenhuma.

Em meio a esse panorama surge uma luz: o estigma geral sobre saúde mental parece começar a enfraquecer. Alejandro Guillén, diretor de comunicação da Confederação Saúde Mental Espanha (que agrupa 300 organizações e 47.000 associados) acredita que a percepção coletiva está melhorando, que nos últimos anos estão se abrindo discussões que há pouco pareciam impossíveis. Ele e outros especialistas reconhecem, isso sim, que se avançou muito mais na aceitação social da depressão e da ansiedade do que no resto dos problemas mentais. Pode ser que seja porque são dois dos transtornos mais comuns e percebidos como mais fáceis de superar. “Mas é uma mudança importantíssima. O processo de recuperação pode começar, exatamente, ao contar o que acontece com as pessoas, porque o silêncio agrava os problemas”, afirma Guillén.

Não faltam aqueles que hoje encontraram fórmulas para falar mais e melhor sobre saúde mental. Quando se olha a revista Anxy, com suas capas de cores vivas e títulos como ‘Raiva’ ou ‘Masculinidade’, espera-se reportagens de design ou música. No entanto, o que se vê é uma publicação criada para falar sobre ansiedade, depressão e traumas, sobre “nossos mundos interiores, os que com frequência evitamos compartilhar, as lutas internas, os medos que nos fazem acreditar que o resto do mundo é normal e nós, não”. Indhira Rojas (República Dominicana, 1983) lançou esta revista bimestral em 2016 no Silicon Valley, arrecadando fundos (cerca de 60.000 dólares) pela internet, motivada por sua própria terapia com desenhos e colagens. Descobriu que a maioria do que se publicava sobre saúde mental tinha um ângulo puramente médico, com uma estética e um design pouco atraentes. Rojas decidiu introduzir uma visão mais artística e abrir um diálogo porque, afirma, a maneira formal em que algo é apresentado tem a capacidade de nos motivar e um potencial expressivo do qual as palavras carecem. Uma embalagem feia torna o assunto, complicado em si, totalmente “não palatável”. A rejeição é multiplicada.

Uma visão parecida inspira Jara Pérez, que faz um tipo de terapia que ela denomina “acompanhamento psicológico por videoconferência”. Sua página na web e nas redes sociais, cheias de piadas, fotogramas e filmes e imagens conceituais, poderiam ser as de uma millenial qualquer. Mas Pérez aposta nessa estética por um motivo claro: quer se aproximar de um público jovem que aprecia a linguagem visual compartilhada (os memes) e a ironia como ferramenta para compartilhar experiências dolorosas.

Diante das gerações anteriores, os jovens de hoje têm mais referências e informação sobre saúde mental e, em boa medida, a desmistificam. Estão expostos a debates sobre o assédio na escola e a automutilação e veem famosos — Justin Bieber, Lady Gaga, Demi Lovato; na Espanha, Iniesta ou o youtuber El Rubius — falar de vícios, ansiedade e depressão. Mas o silêncio ainda pesa sobre a bipolaridade, e ainda mais sobre transtornos como a esquizofrenia. Guillén, da Confederação Saúde Mental, destaca o imenso impacto que os rostos populares têm em campanhas de conscientização, mas reconhece que é difícil que se exponham. “O que muitos famosos fazem quando contam, por exemplo, que sofrem de ansiedade é ligar seus problemas à pressão que suportam no trabalho.”

Nas redes esse tipo de confissão prolifera entre personagens conhecidos ou nem tanto. O que é mais autêntico do que uma dose de vulnerabilidade em meio a um monte de gente que parece ter vidas melhores do que a sua? As marcas também se dão conta. “Estamos percebendo que a saúde é muito mais ampla do que pensávamos antes”, afirma Nieves Noha, analista de tendências da consultoria Exito. Ela detecta cinco etapas de conscientização nos últimos anos: primeiro, nos concentramos na saúde corporal; depois, começamos a prestar atenção à saúde mental e emocional, e agora começamos a olhar para a relacional (relações tóxicas etc.) e inclusive a ambiental (qual é o efeito da arquitetura ou do design). Por isso há quem aproveite a vulnerabilidade como ferramenta de marketing. Um exemplo recente: Kendall Jenner, modelo e membro do clã Kardashian, criou grande expectativa ao anunciar que lançaria uma mensagem “corajosa” e “autêntica”, algo que soava a confissão íntima (falaria de suas inseguranças? Kendall tem os mesmos problemas do restante da humanidade?). No fim, anunciou um creme anti-acne.

As redes são armas de dois gumes com efeitos pouco saudáveis, mas não se deve esquecer que também permitem encontrar conexões, fazer com que nos sintamos menos sozinhos no mundo. De fato, parte do humor dos millenials e da geração Z gira em torno da depressão e da ansiedade. Uma espécie de novo movimento dadaísta de memes salpicados de autoconsciência, consequências da recessão econômica e da perda de referenciais. E da sensação de que é melhor rir desse vazio existencial do que permanecer calados.

 

Fonte: El País

Nova queda de Facebook, Instagram e WhatsApp

Rede de Zuckerberg sofre a segunda falha maciça em um mês

As redes sociais da empresa de Mark Zuckerberg (Facebook, Instagram e WhatsApp) voltaram a sofrer uma queda no serviço, a segunda em um mês e a quarta do ano. As falhas no serviço foram registradas a partir das 8h (horário de Brasília), sem que a empresa tenha informado sobre as causas. O Twitter e o Telegram se transformaram novamente nas redes alternativas tanto para mensagens como para envio de reclamações.

A falha nos serviços ocorre em plena comemoração do Domingo de Ramos e quando muitas irmandades utilizam as redes sociais para informar sobre a evolução e itinerário das procissões, da mesma forma que milhares de usuários recorrem aos aplicativos de mensagens para se encontrar e se localizar.

O problema foi registrado pouco antes das 8h. O Instagram sofreu as quedas nas conexões por celular e o Facebook, principalmente, através de seu site.

Os erros foram detectados pelos usuários enquanto os responsáveis pelas redes não deram explicações a respeito e mantinham suas páginas com informações relativas a novas nomeações e a luta para melhorar os conteúdos das conversas.

Na falha anterior, registrada em 13 de março, o Facebook informou um dia depois do incidente que a queda não estava relacionada a um ciberataque do tipo “DDoS”, “ataque de denegação de serviço”, que acontece quando os servidores ficam lotados por uma avalanche ingovernável de demanda de conexões. A rede com 2,3 bilhões de usuários ativos teve uma queda notável em novembro, atribuída a um “problema do servidor”, e outra em setembro, dessa vez por “problemas de rede”.

Após a maior queda dos serviços do Facebook, Instagram e WhatsApp no mês passado, a investigação penal aberta nos Estados Unidos pela gestão de dados e as mudanças na política da empresa de Mark Zuckerberg, este anunciou em um comunicado aos seus funcionários a demissão de dois de seus principais e históricos diretores: Chris Cox, chefe de produtos, e Chris Daniels, responsável de negócios do WhatsApp.

Da proibição à obrigação, o futebol feminino desafia os clubes brasileiros em 2019

Para este ano, CBF e Conmebol obrigam os principais times do país a formarem time adulto e categorias de base. São Paulo contrata Cristiane, da seleção brasileira

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. A frase está no artigo 54 do Decreto-lei 3199, de abril de 1941, época em que Getúlio Vargas governava o país de forma autoritária através do Estado Novo. Naquele ano, enquanto o futebol masculino brasileiro funcionava de forma profissional há quase uma década e a seleção já havia participado de três Copas do Mundo, a modalidade feminina tinha sua prática proibida por lei, com o Conselho Nacional de Desportos – criado pelo mesmo decreto – se baseando em argumentos supostamente científicos a respeito das “condições de natureza” das mulheres. A proibição só foi abolida em 1979, no período final da ditadura seguinte, comandada pelos militares.

Quarenta anos depois da permissão, o futebol feminino deu seu passo mais ousado no Brasil: a partir de 2019, todos os clubes da série A do campeonato brasileiro são obrigados pela CBF a terem uma equipe feminina adulta e uma de base, que disputem ao menos um campeonato oficial. A medida faz parte do Licenciamento de Clubes, documento que regula a temporada de competições profissionais no país, e segue a orientação da Conmebol, que adota a mesma regra para clubes participantes de Libertadores e Sul-Americana. Ao mesmo tempo em que visa aumentar a visibilidade da modalidade, trazendo os clubes mais populares do país para a categoria, a medida também coloca à frente da maioria dos cartolas brasileiros o desafio de tornar rentável um departamento de futebol que, até agora, traz mais déficits do que lucros. “Era uma necessidade do futebol feminino. Criamos duas divisões adultas (a primeira com 16 times e a segunda com 36) e uma de base, o que dá condições aos clubes de terem competições de bom nível”, justificou a CBF através de seu diretor de competições, Manoel Flores.

Dos 20 clubes da série A obrigados a formar equipe feminina adulta, seis jogarão o campeonato brasileiro A1 2019, a elite do futebol feminino no país. Destes, três têm projetos próprios consolidados há mais de uma temporada: Santos, Corinthians e Internacional. O time do Flamengo funciona em parceria com a Marinha do Brasil desde 2015. Os outros dois, Athletico Paranaense e Avaí, ganharam a vaga por se fundirem com equipes que já estavam na primeira divisão – Foz Cataratas, do Paraná, e Kindermann, de Santa Catarina, respectivamente –, motivados pela regra da CBF. Vasco, Chapecoense e Grêmio também têm projetos próprios formados há mais de um ano, mas jogam o campeonato brasileiro A2, a segunda divisão; que, por sua vez, também acolhe outros nove clubes entre aqueles obrigados. Apenas CSA, Fortaleza e Goiás, que estão na primeira divisão masculina, disputarão somente o campeonato estadual feminino neste ano.

Clubes optam por parcerias ou investimento próprio

Em suma, 13 dos 20 clubes precisaram iniciar suas equipes de futebol feminino adulto em 2019. Como é necessário investimento para a criação de um projeto próprio, mais da metade optou por fechar parcerias com times já formados. O Atlético Mineiro, por exemplo, formou o time com a ajuda do Prointer Futebol Clube, equipe amadora de Belo Horizonte. “Precisávamos encaixar o projeto dentro do orçamento e ainda ter um viés social, de ajudar essas meninas. Não poderíamos começar nos moldes do masculino”, comenta Nina Abreu, coordenadora do futebol feminino atleticano. Ela destaca que o clube foi “nobre” ao se preocupar mais em incentivar a modalidade do que ter resultados em campo. “Mas o clube pode acabar refém de outras entidades”, rebate Roberto Moreira, diretor de esportes olímpicos do Fortaleza e responsável pelo departamento feminino do time. “Se existe o risco de romper a parceria, é o nome do clube que fica exposto. Melhor investir de forma a tornar o projeto viável a longo prazo”. O clube cearense teve propostas de parcerias, mas preferiu montar um time com dinheiro próprio, mesmo que jogue apenas o campeonato estadual no primeiro ano de obrigatoriedade.

A maioria das parcerias funciona com o clube grande fornecendo estrutura em troca de contratos com as atletas que jogam no projeto parceiro. Isso porque, hoje, trazer jogadoras de bom nível é uma dificuldade para quem precisa formar equipe no Brasil. “Existe uma escassez de jogadoras para suprir a demanda de todos os clubes”, explica Alessandro Rodrigues, gerente executivo de futebol feminino do Santos. A equipe alvinegra, que montou um projeto vitorioso de 2008 a 2012 e tem a modalidade profissional funcionando desde 2015 ininterruptamente, é uma das maiores referências no Brasil. Rodrigues faz uma ressalva: “Alguns modelos de parceria podem funcionar muito bem, como o Flamengo com a Marinha. Mas eu prefiro que o clube se aproprie da estrutura para montar uma equipe própria”.

Rodrigues garante que, pela estrutura e tradição do Santos, o licenciamento da CBF pouco influencia no compromisso do clube com a categoria, que seguirá independente da regra. O São Paulo, outro exemplo paulista, montou um time adulto apenas em 2019, mas se planeja desde 2017 com alojamento, centro de treinamento e a contratação de Cristiane, da seleção brasileira – o suficiente para, segundo a diretoria, provar a continuação do projeto mesmo se a obrigatoriedade for cancelada no futuro. No entanto, nem todos desfrutam da mesma situação econômica: o Botafogo feminino iniciou as atividades no dia oito de março, com a contratação da gerente Rose de Sá, apenas 23 dias antes da estreia no campeonato brasileiro. “É sabido que existe um problema financeiro nesse clube. O atraso foi pela falta de verba”, confessa Rose.

Mais popularidade, mais cobranças

Na estreia, o Botafogo foi derrotado por 3 a 1 para o Vila Nova, do Espírito Santo. O resultado mais expressivo nas estreias dos clubes mais populares ficou por conta do Atlético Mineiro, que perdeu por 6 a 0 para a Portuguesa. Nina Abreu, ciente da qualidade das meninas oriundas do time amador, classifica o resultado como “dentro dos planos”. “Sei que o time não vai ter retorno no Brasileirão porque não é competitivo. Ainda assim acendeu uma luz vermelha no Atlético, que passou a se preocupar com as condições competitivas. Me autorizaram a trazer reforços”. Se a entrada dos clubes de camisa populariza o futebol feminino, o relato da coordenadora demonstra que a maior audiência também pode trazer cobranças de resultados à diretoria da equipe.

A botafoguense Rose conclui elogiando a medida de CBF e Conmebol, afirmando que o crescimento do futebol feminino “não tem volta”, apesar das dificuldades financeiras. Medeiros, do Fortaleza, e Nina, do Atlético, convergem ao classificar a obrigatoriedade como necessária. “Era urgente. Não tem como desamparar o gênero”, diz a atleticana. “Só que eu posso obrigar o clube a ter o futebol feminino, mas não a acreditar no futebol feminino”, opina o santista Rodrigues. “Se fizerem só pela obrigação, não vai acrescentar muito não”.

Fonte: El País

Um matemático contra a mulher mais velha do mundo

Jeanne Calment morreu em 1997 aos 122 anos. Agora, pesquisador russo sugere que foi uma impostora. Uma cidade mobiliza-se em sua defesa

Jeanne Calment afirmava que quando era criança conheceu Vincent van Gogh. Nasceu em 1875, antes da invenção do telefone, do automóvel e do cinematógrafo. Morreu em 1997, aos 122 anos, no mundo da revolução digital. Teve uma existência banal, exceto por um detalhe: ninguém viveu mais anos do que ela na história da humanidade. Agora, chega da Rússia uma teoria segundo a qual ela era uma impostora e nunca chegou a essa idade. Em Arles, a pequena cidade do sul da França onde viveu Calment, alguns cidadãos se mobilizam para defender quem foi e é uma instituição.

“Tudo isso é um pouco abracadabresco”, diz Rémi Venture, diretor da biblioteca de Arles, em alusão a essa teoria.

Venture faz parte de um grupo de arlesianos indignados com as teorias do russo Nikolai Zak, o funcionário de laboratório formado em matemática que, aliado ao gerontologista Valeri Novoselov, começou a semear há alguns meses a dúvida sobre a “decana da humanidade”, como diz a inscrição no túmulo do cemitério de Trinquetaille, em Arles. Zak examinou documentos e fotografias, incluindo os relatórios do gerontologista Michel Allard e do demógrafo Jean-Marie Robine, que nos anos noventa atestaram sua longevidade. A conclusão de Zak: Jeanne Calment não era Jeanne Calment. A mulher falecida em 1997 era, na verdade, sua filha Yvonne, oficialmente nascida em 1898 e falecida em 1935. E quem morreu de verdade em 1935 não foi Yvonne, mas Jeanne. Talvez por motivos financeiros obscuros, Yvonne tenha usurpado a identidade de sua mãe quando esta morreu.

“Não há nenhum argumento sólido [nas teorias de Zak], só insinuações, embora haja muitíssimas, dezenas”, diz por telefone Robine. E acrescenta: “É o oposto não só do procedimento científico, como também judicial. Não é o acúmulo de pequenas dúvidas que acaba influenciando uma decisão da Justiça. É necessária uma prova, um argumento, algo”.

O mistério de Jeanne Calment mistura conspirações extravagantes com velhas histórias de um povoado globalizadas nas redes sociais. Combina a defesa do orgulho local com o medo da ingerência estrangeira, especificamente russa. E tudo isso em meio a uma discussão muito séria sobre os limites da vida humana. Dois fatos, o de que há 22 anos que ninguém tenha vivido mais que Calment e o de que a segunda pessoa mais idosa tenha morrido aos 119 anos, alimentam as teorias, embora o número de supercentenários — pessoas com mais de 110 anos — não pare de aumentar década após década, como ressalta Robine.

No arquivo municipal de Arles, o volume de 1875 contém a ata de nascimento número 110. É a de Jeanne Calment, nascida em 21 de fevereiro daquele ano. Na margem, acrescentou-se com caneta de tinta preta: “Falecida em Arles em 4 de agosto de 1997”.

Zak aborda o caso como uma questão de probabilidade. O que é mais provável? Que alguém chegue aos 122 anos? Ou que tenha havido uma usurpação de identidade e que esta mulher seja a filha? “É mais provável que seja Yvonne”, diz ele, de Moscou. Seus relatórios estão repletos de indícios, desde contradições na memória da mulher até fotos dela em diferentes épocas, nas quais tem, aparentemente, uma fisionomia distinta. Mas nada conclusivo. “Se as pessoas querem ter certeza, devem fazer um teste de DNA”, desafia, embora também não esteja claro se o DNA daria a resposta.

Mas uma mudança de identidade em um lugar onde os Calment, proprietários de um dos principais comércios, eram conhecidos dificilmente poderia ser feita sem chamar a atenção. “Como é que toda a família, os funcionários dos armazéns Calment e os arlesianos da época, teriam aceitado que a filha substituísse a mãe?”, pergunta Venture. “Se tivessem estado em um povoado perdido no sopé dos Alpes ou dos Pirineus, quem sabe? Mas em Arles!”.

Em Arles também se questiona o motivo financeiro: Yvonne teria se passado por Jeanne para economizar os impostos sobre a sucessão. Mas os impostos não eram tão altos a ponto de justificar a fraude. Zak apresenta então outro possível motivo. Talvez Jeanne estivesse fora de Arles por motivo de doença, e Yvonne a tenha substituído assinando papéis perante notários ou seguradoras. Quando Jeanne morreu, era tarde demais para desfazer o engano. Todo soa muito rocambolesco. A resposta do russo: é mais improvável que tenha morrido aos 122 anos.

“Chamam-me de 007 de Arles”, diz Francis Aurran durante um passeio pelo bairro onde viveu Jeanne Calment. Aurran é um dos moradores que, depois que Nikolay Zak publicou suas teses, resolveram se unir para desmontá-las uma por uma. Examinam arquivos, fazem reuniões semanais e têm um grupo no Facebook com o qual se pode colaborar fornecendo evidências. É sexta-feira e Aurran e Colette Barbé, que conheceu Jeanne e também pertence ao grupo de detetives amadores, mostram ao visitante a Arles de Jeanne Calment: a igreja de São Trófimo, a ruazinha onde ficava o cabeleireiro que ela frequentava, os armazéns Calment, onde agora existe um supermercado.

O passeio acaba na casa de Paul Bourouliou, que aos 99 anos se apresenta como “o decano dos arrozeiros da França”. Arles — a pitoresca cidade por onde passaram Van Gogh e Picasso, uma das capitais das touradas na França, juntamente com Nîmes — está às portas dos campos de arroz da região de Camargue. Bourouliou foi contemporâneo de Yvonne e de Jeanne, embora não se recorde de nada sobre a primeira. Mas se lembra bem de Jeanne: “Era amável, mas tinha seu caráter. Até o final fumava um cigarro por dia e bebia uma taça de vinho do Porto”. E ele? Espera chegar aos 122? “Espero viver mais dez anos”, afirma. “Eu me cuido. Tomo seis remédios por dia.

El País

80 tiros contra família acendem o debate sobre racismo e responsabilidade do Exército

Ao lamentar o que chamou de “incidente”, Bolsonaro diz que “responsável vai aparecer”, mas descarta chamar Exército de assassino. “O Exército não matou ninguém não”

A família Santos Rosa ia no domingo passado a uma festa para celebrar a iminente chegada de um bebê quando seu carro foi baleado pelo Exército no Rio, em um subúrbio pobre chamado Guadalupe. Nada menos que 80 tiros foram disparados pelos militares, que mataram o motorista. Era músico e segurança. Chamava-se Evaldo dos Santos Rosa. Tinha 51 anos. Sua esposa, seu filho de sete anos, sua enteada e seu sogro sobreviveram, embora este último tenha ficado ferido. O Exército afirma que confundiu o carro dessa família negra com o de dois criminosos que tinham disparado antes contra os militares. “É um carro de família”, gritaram os moradores na tentativa de alertar para o erro. O caso reacendeu vários debates no Brasil: sobre os riscos da militarização da segurança, a impunidade das forças de segurança (5.000 das 64.000 mortes violentas de 2017 ocorreram em operações policiais), o racismo…

O presidente, que enviou ao Congresso uma proposta de lei que pretende isentar de culpa os policiais que matarem um criminoso “por medo ou surpresa”, evitou se referir ao assunto até sexta-feira, quando foi indagado pela imprensa. “O Exército não matou ninguém não. O Exército é do povo, e não se pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente”, respondeu. “No Exército sempre tem um responsável”, acrescentou, manifestando sua confiança na investigação interna.

Dez dos 12 militares envolvidos no caso foram detidos dias depois por inconsistências entre o que foi declarado inicialmente e os fatos comprovados. São acusados de descumprir as normas para abrir fogo. O assunto está sendo investigado e será julgado pela Justiça Militar, o que preocupa organizações de defesa dos direitos humanos.

Não é o primeiro incidente desse tipo. Em 2015, cinco jovens negros mortos a tiros em seu carro. Naquela ocasião, foram 111 disparos. Também eram negros, também ocorreu em um bairro pobre do Rio, e os agentes eram policiais militares. As estatísticas sobre a violência no Brasil ocultam frequentemente que os brancos vivem muito mais seguros que os negros. É como se vivessem em países distintos. O Atlas da Violência de 2018 indica que “a desigualdade racial no Brasil é cristalina no que se refere à violência letal e às políticas de segurança”. Um exemplo: enquanto o total de negros assassinados aumentou 23%, o de brancos caiu quase 7% no ano passado.

E sua visão da polícia também é diferente. Entre os jovens negros de baixa renda, cerca de 60% têm medo da polícia, enquanto 40% confiam nela, segundo uma pesquisa do Datafolha. A pesquisa mostra uma imagem inversa entre idosos brancos de alta renda.

EP

Wikileaks, o amor usado e abandonado por Trump

Presidente toma distância da plataforma de Julian Assange, a quem chegou a dar mais crédito do que aos serviços de inteligência dos EUA

Donald Trump.CARLOS BARRIA / REUTERS

A plataforma Wikileaks nasceu em 2006, mas só se tornou um fenômeno global em 2010, quando realizou o maior vazamento de documentos secretos da história dos Estados Unidos. Tratava-se de um arsenal de mensagens militares e diplomáticas que revelaram misérias sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, além de todo tipo de detalhes inconvenientes sobre o que as autoridades americanas pensavam ou escreviam de outros líderes internacionais, desde o interesse pela saúde mental de Cristina Kirchner até a peculiar guarda feminina de Kadafi.

Com esses ingredientes, seria difícil imaginar que um candidato à presidência dos Estados Unidos se atrevesse a dizer qualquer palavra em defesa do site de Julian Assange. Mas quando uma criatura política como Donald Trump entra em cena, tudo é possível, e durante aquele 2016 em que lutava para chegar à Casa Branca, o magnata nova-iorquino não poupou elogios: “Wikileaks, amo o Wikileaks”, disse ele em um comício na Pensilvânia. “O Wikileaks é como um tesouro escondido”, afirmou em Michigan. “Cara, adoro ler o Wikileaks”, declarou em Ohio.

A plataforma tinha publicado uma tonelada de e-mails pirateados do Partido Democrata, que deixaram Hillary Clinton e seu partido em maus lençóis — um caso que os serviços de inteligência identificariam mais tarde como uma das grandes ramificações da alegada trama russa, a interferência de Moscou na campanha eleitoral para favorecer a vitória do republicano. E Trump se mostrava exultante. Mas na quinta-feira, quando a polícia britânica prendeu Julian Assange na Embaixada equatoriana em Londres, depois do pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, o hoje presidente parecia outro. “Não sei nada sobre o Wikileaks”, respondeu à imprensa.

Já se foi a época em que Trump brincou pedindo que Vladimir Putin roubasse os e-mails de Clinton — “Rússia, se vocês estão nos ouvindo, espero que consigam encontrar os 30.000 e-mails de Hillary Clinton” —, ou quando dava mais crédito a Assange do que aos próprios serviços de inteligência americanos. Isso ocorreu em janeiro de 2017, já como presidente eleito, ao pôr em dúvida a acusação das agências de que o Kremlin era o responsável pelos vazamentos, algo que o Wikileaks negava. “Julian Assange diz que ‘um garoto de 14 anos pode ter hackeado [John] Podesta [ex-chefe de campanha do Clinton]’. Por que o Partido Democrata teve tão pouco cuidado? Além disso, ele afirmou que os russos não lhe deram a informação!”, tuitou Trump.

A simpatia pelo universo Wikileaks ia além dos disparates que o nova-iorquino costumava dizer no Twitter no calor da campanha. Seu filho mais velho, Donald Jr., trocou mensagens privadas com a plataforma em plena campanha. Naquela correspondência, que veio à tona em novembro de 2017 na revista The Atlantic como parte da investigação, pelo Congresso, da trama russa, o site de Assange incentivava o jovem a divulgar os vazamentos e o aconselhava sobre estratégias. Além disso, um dos assessores de Trump, Roger Stone, foi uma das peças-chave da investigação da trama por seus contatos com a plataforma.

Esse tipo de aproximação alimentou as suspeitas sobre a possível conivência de Trump ou de seu círculo com o Kremlin na interferência eleitoral. O relatório final do promotor especial Robert S. Mueller, encarregado do caso, isentou o presidente, que agora se distancia o máximo que pode do Wikileaks. Enquanto eram dados os últimos passos da investigação de Mueller, um grande júri estava investigando Assange. A Justiça americana o acusa de conspiração criminosa para se infiltrar em sistemas do Governo e de ter ajudado a então soldado Chelsea Manning a hackear computadores com informação secreta do Governo dos EUA em 2010. Assange poderia ser condenado a até cinco anos de prisão, mas seus advogados temem que os promotores ampliem as acusações e peçam uma sentença de décadas de cadeia. O grande vazador volta a ser um inimigo dos Estados Unidos.

Fonte: El País

 

Olavo de Carvalho, o onipresente oráculo do bolsonarismo

Ideólogo de Bolsonaro mantém sua influência no Governo apesar dos desastrosos primeiros meses de seus indicados no Ministério da Educação

O ideólogo da direita Olavo de Carvalho, em Washington, na ocasião do encontro com o presidente brasileiro, em 16 de março.JOSHUA ROBERTS / REUTERS

O brasileiro Olavo de Carvalho, 71 anos, é alguém que encarna magnificamente esta era na qual ideias e sujeitos há pouco tempo marginais conseguiram colocar-se no centro do debate público. E, em seu caso, ter influência. Este autodidata que vive na Virginia (EUA) há anos e dá aulas de Filosofia pela Internet lidera à distância uma dos quatro grupos que apoiam diariamente o Governo de Jair Bolsonaro. É o pai do setor mais ideologizado do Gabinete, aquele que está na guerra contra o globalismo, o marxismo cultural, o feminismo… Dois ministros são discípulos dele. As demais turmas são os militares, os econômico-pragmáticos e os evangélicos.

Olavo é a grande referência ideológica do clã Bolsonaro, o inspirador da revolução direitista conservadora empreendida para apagar qualquer sinal de esquerdismo no Brasil. Tanto que em sua recente visita oficial a Washington o presidente se sentou à sua direita em um jantar realizado na residência do embaixador. À sua esquerda, estava o ideólogo nacional-populista Steve Bannon.

Na véspera daquele jantar, Carvalho declarou: “Eu adoro esse cara, Bolsonaro. Mas está rodeado de traidores, não confio em praticamente em ninguém do Governo exceto nele”. Detesta o vice-presidente, general Hamilton Mourão, ataca-o publicamente com frequência e até já o insultou; acusa-o de ter mudado de lado depois de assumir o cargo para se tornar “pró-aborto”, “pró-desarmamento” e pró-Nicolás Maduro.

O Gabinete formado por Bolsonaro é um reflexo dos diversos setores que o guindaram ao poder. Todos unidos pela rejeição ao Partido dos Trabalhadores e a Lula, hoje preso, mas com frequência seus interesses são divergentes, o que dificulta a convivência. Os frequentes choques, que também não se esforçam para esconder, e a aparente incapacidade do presidente de colocar ordem na casa são o principal lastro deste Governo.

Para a professora Tassia Cruz, da Fundação Getulio Vargas, “o desgoverno ao qual assistimos no Ministério da Educação é o principal fracasso (desses primeiros 100 dias). Toda a carga ideológica que permeou a campanha foi projetada no coração das políticas públicas”. O ministro original, Ricardo Vélez, sugerido com o das Relações Exteriores pelo guru antimarxista, foi destituído na segunda-feira passada. Culminava assim a guerra aberta entre olavistas e militares pela política educacional na qual Vélez não colocou em andamento projeto algum de destaque, demitiu uns quinze diretores e propôs revisar a narrativa do golpe de Estado de 1964 ou pedir às escolas que gravassem o alunado cantando o hino e enviassem seus vídeos ao ministério. O novo titular, Abraham Weintraub, é outro olavista. Carvalho elogiou a nomeação com um tuíte no qual destacava: “Não me deve nada (…). Ele conhece minhas ideias melhor do que seu antecessor, o que não significa que eu tenha moldado sua mente”. Essas ideias são um combate aberto ao “marxismo cultural” que supostamente impregna o establishment acadêmico, a imprensa, a esquerda em geral… Seus cursos online de Filosofia custam 60 reais por mês.

Detesta o vice-presidente Hamilton Mourão, ataca-o publicamente com frequência e até já o insultou
Mourão é considerado uma força moderadora dentro de um Gabinete que inclui oito antigos militares e um número recorde de fardados em escalões mais baixos, incluindo o porta-voz e o encarregado das redes sociais. É atribuída a sua influência o comedimento em relação à Venezuela – apesar de Bolsonaro não ter chegado a descartar abertamente uma intervenção – e a decisão de levar a Jerusalém um escritório comercial e não a Embaixada, como Bolsonaro prometeu em campanha para entusiasmo dos olavistas e das Igrejas evangélicas.
Nesta última decisão pesou também a influência do setor econômico-pragmático do Governo, que não quer colocar em risco as grandes exportações de carne para os países árabes em troca de agradar Israel. As novas alianças implicam dar às costas a outros amigos e isso pode ter graves consequências econômicas. Por isso Bolsonaro anunciou que a partir de julho fará uma excursão por vários países árabes e antes do fim do ano visitará a China, que há uma década substituiu os Estados Unidos como o principal parceiro comercial. As agendas públicas de Bolsonaro e Mourão, analisadas pelo EL PAÍS, revelam que nesses três meses o primeiro se concentrou em reunir-se com sua equipe e com líderes parlamentares, enquanto o segundo teve como principais interlocutores empresários, representantes da sociedade civil, diplomatas e jornalistas.
Fonte: El País


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