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:: ‘Política’

Museu dos EUA rejeita sediar homenagem a Bolsonaro

O Museu de História Natural dos Estados Unidos, em Nova York, anunciou nesta segunda-feira (15) no Twitter que não sediará mais a homenagem ao presidente Jair Bolsonaro, que estava agendada para maio. Bolsonaro foi escolhido para receber o prêmio “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em jantar de gala, em 14 de maio.

“Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações individuais, concordamos em conjunto que o Museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio, que será realizado em um outro espaço”, afirmou a instituição em nota na rede social. Desde a semana passada, o museu tem sido alvo de críticas pela homenagem ao brasileiro, principalmente por posições sobre políticas para o meio ambiente.

O caótico início de Governo de Bolsonaro

Ultradireitista completa cem dias no comando da maior potência econômica da América Latina com uma gestão errática, dois ministros destituídos e divisões no Gabinete

Na cerimônia para comemorar seus 100 dias no poder, na última quinta-feira, o Presidente do Brasil se orgulhou de conquistas, agradeceu sua equipe e fez uma confissão: “De vez em quando pergunto a Deus, o que eu fiz para estar aqui?”. É provável que algum outro mandatário já se tenha feito essa pergunta, o que chama a atenção é que o líder do quinto país mais populoso do mundo, da maior potência econômica da América Latina, o faça. Essa franqueza entusiasma seus fiéis. Mas Jair Bolsonaro já havia respondido dias antes, em uma entrevista, quando atribuiu a seu filho Carlos, apelidado de Pitbull, o mérito de sua aterrissagem no elegante Palácio do Planalto.

“Ele que me colocou aqui. Foi a mídia dele que me botou aqui”, admitiu o militar reformado e veterano deputado. Bolsonaro é sem dúvida o presidente mais atípico do Brasil desde o final da ditadura. Não só porque o Facebook foi essencial na vitória do ultradireitista, e sim porque preside um Governo dividido em grupos cuja trajetória iniciada em 1 de janeiro tem sido errática, com divisões internas, estridente nas formas e com cargas de profundidade contra as instituições.

Em somente três meses, o presidente destituiu dois ministros e causou indignação dentro e fora do Brasil por encorajar o Exército a comemorar o golpe de Estado de 1964 e afirmar, em Israel, que “não há dúvidas de que o nazismo foi um movimento de esquerda”. Historiadores alemães, entre outros, o desmentiram.

E enquanto procura apoio parlamentar para que seus dois grandes projetos – a reforma da insustentável Previdência e as leis para combater o crime e a corrupção – avancem no Congresso dividido, o Brasil fez novos amigos na arena internacional. Mas a economia continua em crise enquanto a oposição está desaparecida e o presidente se empenha em destruir a credibilidade da imprensa e das próprias instituições do Estado.

Capital dilapidado

O nacional-populista começou com enorme capital político graças a sua contundente vitória e à enorme confiança dos mercados. Mas o dilapidou até se transformar no presidente com pior avaliação no primeiro trimestre, de acordo com o Datafolha. O Governo é ruim ou péssimo para 30%, regular para 33% e bom ou ótimo para os outros 32%. Seus eleitores o elegeram porque encarnava uma mudança radical. Acreditaram que mudaria o sistema e ressuscitaria a economia, mas o começo foi acidentado. Em um país obcecado por quantificar tudo, a imprensa se encheu de balanços. O jornal Globo afirma que o presidente cumpriu integralmente 18 e parcialmente 17 de suas 35 promessas para os 100 primeiros dias. De facilitar a posse de armas ao pagamento do 13° para 13 milhões de família pobres que recebem o Bolsa Família.

Expectativas

Para 60% dos entrevistados pelo Datafolha, ele fez menos do que o esperado. Ao analisar até que ponto cumpriu as expectativas, a professora Tassia Cruz da Fundação Getúlio Vargas divide seus eleitores em três grupos. “Para os que o elegeram porque não era o PT de Lula, com um desejo de renovação política, de separar a Presidência dos escândalos de corrupção, de ter um Governo de técnicos e políticas públicas eficazes, certamente ele não esteve à altura”, diz. Os atraídos por sua agenda liberal na economia “ainda têm esperanças de uma melhora”, acrescenta. Mas a especialista afirma que Bolsonaro governa para o terceiro grupo, os que abraçam seu discurso sem questionamentos. “Ainda que representem uma minoria de seus eleitores, são os mais barulhentos nas redes sociais gerando uma imagem de satisfação com o desempenho do presidente”. Aí está a mão hábil de seu filho Carlos, o estrategista na Internet, onde o presidente tem 26 milhões de seguidores entre uma população presa ao universo paralelo das redes. Seu agradecido pai diz que ele merece um ministério.

Bolsonaro posa ao lado de sua equipe ministerial no evento que celebrou 100 dias de Governo, em Brasília, na última quinta-feira.
Bolsonaro posa ao lado de sua equipe ministerial no evento que celebrou 100 dias de Governo, em Brasília, na última quinta-feira.ADRIANO MACHADO / REUTERS

Economia

É o terreno em que se disputa a batalha crucial. E do qual o presidente não faz a menor ideia. “Não sou economista, já disse que não entendo de economia”, admitiu na sexta-feira após sua intervenção para que a Petrobras não subisse o preço do diesel, por medo de que os caminhoneiros paralisassem o país, fazer com que a empresa estatal perdesse 32 bilhões de reais na Bolsa. É o clássico desatino de Bolsonaro. Após uma breve recessão, a economia cresce, mas fracamente. O mandato presidencial começou com uma sucessão de recordes na Bovespa e privatizações iniciais, mas esse otimismo não se traduziu em melhoras tangíveis à população. O desemprego subiu para 12,4% enquanto se sucedem as diminuições nas previsões de crescimento econômico. A última, do Itaú, o maior banco privado, de 2% a 1,3% para 2019.

Disputas com o Congresso

Um discurso raivoso, nostálgico da ditadura, homofóbico e racista deu fama a Bolsonaro, mas ele só teve duas leis aprovadas em três décadas. Com somente 54 deputados, precisa forjar maioria importante em um Congresso com 513 integrantes para aprovar a nova Presidência, vital para sanear as contas públicas e fazer com que a economia volte a crescer com força. Bolsonaro, que parece ter melhor instinto do que visão estratégica, logo se chocou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que o acusou de acreditar que “governar o Brasil é brincadeira de criança”. O outro projeto fundamental é o criado pelo juiz Sérgio Moro, o mais popular do Gabinete, para acabar com a insegurança e a corrupção.

Novos amigos

O capitão reformado, cujo lema é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, se alinhou com os EUA e Israel além de exigir o fim do chavismo na Venezuela. Uma revolução para uma diplomacia conhecida por sua sutileza. Bolsonaro pode se orgulhar dos acordos que conquistou em sua visita a Donald Trump, mas por enquanto não mudará a Embaixada para Jerusalém.

Família

Os Bolsonaro são um clã com três filhos estrategicamente situados em diversos Legislativos. A enorme influência de Carlos e seus irmãos no patriarca causou importantes brigas dentro do Gabinete com humilhantes gestos públicos. Foi Eduardo, deputado e ligação com o movimento nacional-populista, e não o ministro das Relações Exteriores, que esteve no Salão Oval com os presidentes Bolsonaro e Trump. Flávio, o primogênito, é o flanco pelo qual aparecem as suspeitas de corrupção porque o também senador é investigado por receber pagamentos irregulares. E ligações suspeitas com as milícias do Rio rondam a família há anos.

Barulho

As polêmicas pelo que diz e faz são cotidianas. Envergonhou parte de seus compatriotas com um vídeo vulgar de Carnaval, repassou uma acusação falsa contra uma jornalista feita pelos bolsonaristas na Internet, no Dia da Mulher disse que seu Governo era igualitário mesmo com somente duas mulheres entre seus 22 ministros… Cem intensos dias que incluíram até mesmo uma operação cirúrgica.

Fonte: El País

Olavo de Carvalho, o onipresente oráculo do bolsonarismo

Ideólogo de Bolsonaro mantém sua influência no Governo apesar dos desastrosos primeiros meses de seus indicados no Ministério da Educação

O ideólogo da direita Olavo de Carvalho, em Washington, na ocasião do encontro com o presidente brasileiro, em 16 de março.JOSHUA ROBERTS / REUTERS

O brasileiro Olavo de Carvalho, 71 anos, é alguém que encarna magnificamente esta era na qual ideias e sujeitos há pouco tempo marginais conseguiram colocar-se no centro do debate público. E, em seu caso, ter influência. Este autodidata que vive na Virginia (EUA) há anos e dá aulas de Filosofia pela Internet lidera à distância uma dos quatro grupos que apoiam diariamente o Governo de Jair Bolsonaro. É o pai do setor mais ideologizado do Gabinete, aquele que está na guerra contra o globalismo, o marxismo cultural, o feminismo… Dois ministros são discípulos dele. As demais turmas são os militares, os econômico-pragmáticos e os evangélicos.

Olavo é a grande referência ideológica do clã Bolsonaro, o inspirador da revolução direitista conservadora empreendida para apagar qualquer sinal de esquerdismo no Brasil. Tanto que em sua recente visita oficial a Washington o presidente se sentou à sua direita em um jantar realizado na residência do embaixador. À sua esquerda, estava o ideólogo nacional-populista Steve Bannon.

Na véspera daquele jantar, Carvalho declarou: “Eu adoro esse cara, Bolsonaro. Mas está rodeado de traidores, não confio em praticamente em ninguém do Governo exceto nele”. Detesta o vice-presidente, general Hamilton Mourão, ataca-o publicamente com frequência e até já o insultou; acusa-o de ter mudado de lado depois de assumir o cargo para se tornar “pró-aborto”, “pró-desarmamento” e pró-Nicolás Maduro.

O Gabinete formado por Bolsonaro é um reflexo dos diversos setores que o guindaram ao poder. Todos unidos pela rejeição ao Partido dos Trabalhadores e a Lula, hoje preso, mas com frequência seus interesses são divergentes, o que dificulta a convivência. Os frequentes choques, que também não se esforçam para esconder, e a aparente incapacidade do presidente de colocar ordem na casa são o principal lastro deste Governo.

Para a professora Tassia Cruz, da Fundação Getulio Vargas, “o desgoverno ao qual assistimos no Ministério da Educação é o principal fracasso (desses primeiros 100 dias). Toda a carga ideológica que permeou a campanha foi projetada no coração das políticas públicas”. O ministro original, Ricardo Vélez, sugerido com o das Relações Exteriores pelo guru antimarxista, foi destituído na segunda-feira passada. Culminava assim a guerra aberta entre olavistas e militares pela política educacional na qual Vélez não colocou em andamento projeto algum de destaque, demitiu uns quinze diretores e propôs revisar a narrativa do golpe de Estado de 1964 ou pedir às escolas que gravassem o alunado cantando o hino e enviassem seus vídeos ao ministério. O novo titular, Abraham Weintraub, é outro olavista. Carvalho elogiou a nomeação com um tuíte no qual destacava: “Não me deve nada (…). Ele conhece minhas ideias melhor do que seu antecessor, o que não significa que eu tenha moldado sua mente”. Essas ideias são um combate aberto ao “marxismo cultural” que supostamente impregna o establishment acadêmico, a imprensa, a esquerda em geral… Seus cursos online de Filosofia custam 60 reais por mês.

Detesta o vice-presidente Hamilton Mourão, ataca-o publicamente com frequência e até já o insultou
Mourão é considerado uma força moderadora dentro de um Gabinete que inclui oito antigos militares e um número recorde de fardados em escalões mais baixos, incluindo o porta-voz e o encarregado das redes sociais. É atribuída a sua influência o comedimento em relação à Venezuela – apesar de Bolsonaro não ter chegado a descartar abertamente uma intervenção – e a decisão de levar a Jerusalém um escritório comercial e não a Embaixada, como Bolsonaro prometeu em campanha para entusiasmo dos olavistas e das Igrejas evangélicas.
Nesta última decisão pesou também a influência do setor econômico-pragmático do Governo, que não quer colocar em risco as grandes exportações de carne para os países árabes em troca de agradar Israel. As novas alianças implicam dar às costas a outros amigos e isso pode ter graves consequências econômicas. Por isso Bolsonaro anunciou que a partir de julho fará uma excursão por vários países árabes e antes do fim do ano visitará a China, que há uma década substituiu os Estados Unidos como o principal parceiro comercial. As agendas públicas de Bolsonaro e Mourão, analisadas pelo EL PAÍS, revelam que nesses três meses o primeiro se concentrou em reunir-se com sua equipe e com líderes parlamentares, enquanto o segundo teve como principais interlocutores empresários, representantes da sociedade civil, diplomatas e jornalistas.
Fonte: El País

Vamos cortar na carne, diz ministro da Defesa

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, classificou como “lamentável incidente” a morte do músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em decorrência de uma operação do Exército, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro.

“Vamos apurar [o caso] e cortar na própria carne”, disse o ministro durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Ele afirmou também que o presidente Jair Bolsonaro mandou apurar “o que tem que ser apurado”.

Em sessão tumultuada, reforma da Previdência dá primeiro passo na Câmara

Deputado Marcelo Freitas (PSL-MG) recomendou a aprovação da proposta do Governo na CCJ. Comissão pode votar relatório até o dia 17, mas oposição já demonstrou que pretende obstruir

O relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), apresentou nesta terça-feira seu parecer positivo sobre a proposta encaminhada ao Congresso apresentada pelo Governo. O texto precisa primeiro passar pela CCJ antes de ser encaminhado a uma comissão especial e, só em seguida, ser votado em duas etapas pelo plenário da Casa. A expectativa do presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), é que o parecer seja votado até a quarta-feira da próxima semana, 17 de abril, mas a oposição já demonstrou nesta terça-feira que não está com pressa.

A sessão precisou ser suspensa uma vez, por 10 minutos, quando deputadas do PT se aproximaram da mesa da comissão para suportar a série de questões de ordem que apresentavam. Durante o tumulto, um deputado acusou o colega Delegado Waldir (PSL-GO) de estar armado. O líder do PSL na Câmara esclareceria mais tarde que estava apenas com um coldre, mas sem arma. Após vários bate-bocas, o relator Marcelo Freitas leu todo o relatório e recomendou a aprovação. Segundo ele, os dispositivos sobre Previdência Social não são cláusulas pétreas e podem, portanto, ser retirados da Constituição e regulamentados por meio de lei complementar, como sugere a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já tinha ido à CCJ na semana passada defender a reforma, em outra tumultuada audiência pública, na qual ele foi chamado de tchutchuca pelo petista Zeca Dirceu — ao que ele respondeu “Tchutchuca é a mãe. É a vó!”. Foram mais de sete horas de embates entre o ministro e os parlamentares do colegiado. Na ocasião, Guedes comparou o sistema de repartição simples — em vigor hoje e no qual os trabalhadores pagam os benefícios dos aposentados — a um avião sem combustível que se dirige para alto-mar, e disse que o atual sistema previdenciário está “condenada”.

Já nesta terça-feira, em discurso a um fórum de prefeitos de todo o país, o presidente Jair Bolsonaro que a aprovação da reforma da Previdência é uma “encruzilhada” que precisa ser atravessada, e pediu apoio para obter a aprovação no Congresso. “Gostaríamos de não ter de fazer a reforma da Previdência, mas somos obrigados”, disse o mandatário.

Com informações da Reuters

Preso há um ano, Lula diz que sua libertação é parte da retomada da democracia no Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu artigo publicado pela Folha de S. Paulo neste domingo (6) dizendo que sua libertação é “parte importante” da democracia no Brasil. Ele foi preso há exatamente um ano e alega que não é solto porque temem a “organização do povo”.

No texto, Lula destaca que sua prisão beneficiou principalmente o presidente Jair Bolsonaro e fez parte de um movimento político que teve início em 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff. Segundo ele, a oposição “escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder”.

“Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático”, criticou o ex-presidente, Ele também se queixou da Operação Lava Jato, que teria atropelado prazos e prerrogativas da defesa para o condenar antes das eleições.

“Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país”, reclamou.

1964: lembranças e tormentos

A institucionalidade foi quebrada e minha vida mudou. Recordar faz parte da História. Celebrar, o quê?

Cinquenta e cinco anos passam depressa. A memória se vai, mas ficam recordações. No dia 13 de março de 1964 eu estava no Rio, em casa de meu pai. À noite fui à Central do Brasil pegar o trem de volta para São Paulo. Meu pai, general reformado e ex-deputado federal, residia no Arpoador, no mesmo prédio em que moravam minha avó e um tio. Lá também morava Carlos Drummond de Andrade. Por Copacabana inteira, passando por Botafogo e pelo Flamengo, havia velas acesas nas sacadas de muitos edifícios: a classe média, especialmente a mais alta, protestava contra Jango Goulart, presidente da República que convocara seus apoiadores a se reunir naquela noite em comício perto da Central do Brasil, em frente à Praça da República.

Tomei o trem indiferente ao que ocorria. Por acaso estavam no trem vários amigos: o José Gregori, que viria a ser ministro da Justiça em meu governo, Plínio de Arruda Sampaio, que fora meu colega de curso primário no colégio Perdizes em São Paulo e se tornaria deputado federal constituinte, e o engenheiro Marco Antônio Mastrobono, futuro marido da filha de Jânio Quadros. No jantar, conversas e discussões. O “golpe” estava no ar: de quem seria? Não chegamos a concluir se dos militares e da “direita”, ou das “forças populares”, com Jango à frente, em favor de vagas reformas. Só sabíamos de uma coisa, viesse do lado que viesse, sofreríamos as consequências…

Na época eu era jovem professor-assistente da Faculdade de Filosofia, tinha 33 anos e assento no Conselho Universitário da USP como representante dos livre-docentes. Pouquíssimos sabiam de minhas relações de família com a vida política. Meu pai se elegera deputado federal pelo PTB em 1954. No governo de Getúlio, um primo de meu pai havia sido governador do Rio e outro ministro da Guerra, o mesmo cargo ocupado por um tio-avô no início dos anos 1930. No governo de Juscelino um tio havia presidido o Banco do Brasil.

Meu pai e muitos familiares pertenciam à ala nacionalista e eram favoráveis à campanha do “Petróleo é nosso”, na qual também me envolvi. Nunca me esquecerei do vidrinho de petróleo baiano, colocado em uma estante na casa do marechal Horta Barbosa, que eu frequentava quando menino, pois sua filha se casara com um irmão de meu pai.

Eu me interessava sobretudo pela Faculdade, na qual me tornei professor em 1953, num ambiente avesso a Vargas e distante dos militares.

Minha participação politica até então havia sido fugaz: no começo dos anos 1950, estive próximo da esquerda, do Partidão e do círculo intelectual liderado por Caio Prado Júnior na Revista Brasiliense. Rompi com o PC quando os soviéticos invadiram a Hungria em 1956. Depois do Relatório Kruschev, da mesma época, agitei bastante contra os dirigentes comunistas. Não simpatizava com o populismo de Jango, embora fosse amigo de seu chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro. Nada disso impediu que a partir de 1964 eu fosse considerado “subversivo” pelos novos donos do poder.

No início dos anos 1960, lutava pela organização da carreira universitária e pela Fapesp. No Conselho Universitário ajudei a derrotar a “oligarquia”: com a ajuda de Hélio Bicudo e Plínio Sampaio, ambos do gabinete do governador Carvalho Pinto, elegemos o prof. Ulhôa Cintra para reitor da USP. Por isso eu gozava de prestígio em camadas de professores e, sobretudo, de estudantes.

Fonte: El País

Neto de Lula não morreu de meningite

Um mês depois da morte, laudo de exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz descartam todos os tipos de meningite como causa do óbito de Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos

O laudo de exames feitos em Arthur Araújo Lula da Silva, neto do ex-presidente Lula, descartou todos os tipos de meningite como causa da morte da criança de sete anos há um mês, como havia informado o Hospital Bartira, da rede D’Or. Arthur morreu na tarde do primeiro dia de março, após dar entrada no hospital com náuseas, febre e dores abdominais. O resultado negativo para a doença acusada foi confirmado pela Prefeitura de Santo André.

“Apesar da notificação, o resultado do exame de líquor realizado no mesmo dia pelo próprio Hospital Bartira, acusou bacterioscopia negativa”, diz a nota da Prefeitura de Santo André, sem informar o motivo que levou a criança a morrer. “Informações adicionais relacionadas ao caso dependem da autorização expressa da família”, acrescenta o comunicado, divulgado nesta terça-feira, 2 de abril.

Por volta das 7h do dia 1 de março, Arthur foi levado para o Hospital Bartira com febre e dores abdominais. Já no hospital, passou a apresentar confusão mental e morreu por volta de meio dia. No dia, o hospital informou meningite meningocócica como causa da morte. “Todos os procedimentos de proteção e profilaxia dos comunicantes foram realizados seguindo os protocolos do Ministério da Saúde”, diz a nota da prefeitura. Amostras de sangue da criança foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para confirmar o diagnóstico. O laudo emitido nesta terça-feira, porém, descartou todos os tipos de meningite.

O ex-ministro da Saúde da gestão petista, Alexandre Padilha, chegou a comentar o caso no Twitter, cobrando uma posição do hospital sobre a divulgação da causa da morte da criança. “Apenas dois objetivos nos movem em relação a tais cobranças. O primeiro conseguimos: que a autoridade sanitária viesse a público esclarecer à população que não se tratava de um caso de doença meningóccica para a qual havia corrida por vacina”, publicou. A segunda cobrança do ex-ministro é de que o Hospital Bartira esclareça “quais procedimentos de apuração já realizou para o vazamento de diagnóstico que se revelou antiético para com a família e irresponsável com a Saúde Pública da região”. Padilha disse ainda que solicitaria ao Conselho Regional de Medicina que apure se houve participação dos médicos no vazamento da notícia. Segundo a Revista Crusoé, a família de Arthur decidiu processar o hospital por divulgar a morte da criança sem a sua autorização. O EL PAÍS tentou contatar o Hospital Bartira, mas a assessoria de imprensa da unidade de saúde não atendeu as ligações.

O ex-presidente foi autorizado pela Justiça Federal a ir ao velório do neto no sábado de Carnaval. Seis policiais armados com fuzis acompanharam o ex-presidente em todo momento. Lula ficou ao lado da família por cerca de duas horas, durante as quais pode consolar o filho Sandro, pai de Arthur, e a nora Marlene. Foi a segunda vez que Lula saiu da prisão na Superintendência da PF, em Curitiba, desde que foi preso em 7 de abril de 2018 —em novembro, ele saiu para ser interrogado na Lava Jato—. Há um mês, os advogados do ex-presidente solicitaram à Justiça autorização para que ele participasse do enterro de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, de 79 anos, no dia 30 de janeiro, mas o pedido foi negado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, acatou um recurso da defesa e autorizou o petista a encontrar os familiares, mas a decisão foi liberada no exato momento em que acontecia o enterro.

Onyx defende reunião com partidos

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), afirmou que a série de encontros entre o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os o dirigentes dos principais partidos políticos é o primeiro passo para abrir o governo às outras legendas. Oficialmente, só o PSL faz apoio formal ao governo, o que não se traduz necessariamente em cargos.

Para o ministro, primeiro é necessário o diálogo para depois convidar e “abrir as portas”. “Para que tenhamos uma base constituída, a gente precisa dialogar, convidar e abrir as portas”, afirmou o ministro nesta quarta-feira (3). Bolsonaro recebe os presidentes das siglas para tratar da aprovação da reforma da Previdência na Câmara e no Senado. O presidente do PSDB e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin é um dos que vão participar da reunião com Bolsonaro na quinta-feira (4).



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