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:: ‘Política’

Incêndio na extrema direita: Ricardo Salles acusa Moro de ser “comunista”, “a favor de droga” e “traidor” (vídeo)

Ricardo Salles e Sergio Moro (Foto: Lula Marques | Alessandro Dantas)

Ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles fez ataques violentos e inusitados contra Moro na Jovem Pan

247 – O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, bolsonarista radical, fez ataques inusitados ao ex-juiz Sergio Moro, declarado suspeito pelo STF e pré-candidato à Presidência. Foi no programa “Morning Show” da Jovem Pan. Ele afirmou que Moro é “de esquerda”, “comunista”, “a favor de droga” e “traidor” e, finalmente, “tucano”.

Diante das expressões atônitas dos apresentadores e comentaristas, Salles disse: “Moro é a política da dissimulação da traição. Aceitou ser ministro do Bolsonaro sabendo que não tinha nada a ver com o governo. Ele é de esquerda, é contra as armas, a favor de droga, é comunista. O moro é um tucano”. Assista:

 

Salles pediu demissão do Ministério em 23 de junho passado, depois de circular intensamente em Brasília que ele seria preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), de quem era alvo de investigações.

Um inquérito do ministro Alexandre de Moraes, que motivou buscas e apreensão em seus endereços em Brasília e São Paulo, apurava indícios de favorecimento de empresas na exportação ilegal de madeira. Um segundo inquérito, conduzido pela ministra Cármen Lúcia, apurava suspeita de obstruir a maior investigação ambiental da Polícia Federal em favor de quadrilhas de madeireiros. Ele negava irregularidades.

Com a renúncia e a perda do foro privilegiado, os inquéritos foram remetidos à primeira instância.

247

Aras diz que enviará ao STF todo o relatório da CPI da Covid

(Foto: Antonio Augusto/Secom/PGR | STF | Edilson Rodrigues/Agência Senado)

“Nada do que foi encaminhado à PGR ficará na PGR, tudo será remetido para a Suprema Corte”, afirmou o procurador-geral da República, Augusto Aras

247 – O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que irá encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) todo o relatório e as provas apontadas pela CPI da Covid. “Nada do que foi encaminhado à PGR ficará na PGR. Tudo será remetido para a Suprema Corte”, afirmou Aras em entrevista à GloboNews. O relatório final do colegiado foi entregue à PGR no dia 27 de outubro e recomenda o indiciamento de 78 pessoas, incluindo Jair Bolsonaro, e de duas empresas por crimes cometidos durante a pandemia e Covid-19 no Brasil.

“Eu pretendo compartilhar todo esse material com o Supremo Tribunal Federal. Nada do que o Senado, nada do que a CPI do Senado – que já foi extinta, é bom que se diga, ela não existe mais. Nada do que foi encaminhado à PGR ficará na PGR, tudo será remetido para a Suprema Corte”, afirmou Aras nesta terça-feira (23).

Ele disse, ainda, que o envio do  material para o STF tem o objetivo de fazer com que “a Suprema Corte exerça também o papel ou a função relevante de controle de legalidade”. “Existem inúmeras provas submetidas à reserva de jurisdição. O Ministério Público não pode quebrar aquilo que se chama de cadeia de custódia em certas provas, que estão reservadas à decisão judicial”, justificou.

Nesta terça-feira, a  Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um convite para que Aras explique as providências adotadas em relação ao relatório final da CPI da Covid.

247

Bolsonaro confirma ‘casamento’ com o PL com final ‘felizes para sempre’

A única questão ainda não definida para a confirmação da entrada do presidente Jair Bolsonaro nos quadros do PL é o horário do ato de filiação, informou nesta quarta-feira (24) o próprio chefe do Executivo federal. A informação é do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

“Está tudo certo para ser um casamento e seremos felizes para sempre. A princípio, está tudo certo para o dia 30 [próxima terça-feira], por volta das 10h30 da manhã. Não sei se posso fazer nesse horário, que é horário de expediente, mas está tudo certo”, disse Bolsonaro a jornalistas após sair da Câmara dos Deputados, onde foi homenageado com a medalha do Mérito Legislativo.

A matéria lembra que o “noivado” de Bolsonaro com o partido de Valdemar Costa Neto enfrentou problemas porque o chefe do Executivo não aceitou que a sigla mantivesse alianças estaduais que já estavam combinadas. “Acertamos São Paulo e alguns estados do Nordeste. No macro, foi tudo conversado com Valdemar, que é uma pessoa que é conhecida por honrar palavra. E temos tudo pra realmente ajudar na política brasileira”, completou Bolsonaro.

Ao ser questionado sobre a filiação ainda no Salão Verde, da Câmara, Bolsonaro respondeu fazendo o gesto de 22 com as mãos.

Na terça (23), o PL adiantou que Bolsonaro deve se filiar em ato na sede do partido, em Brasília.

A expectativa é de que Bolsonaro concorra à reeleição pelo partido do Centrão. Ele negou que vá interferir em questões como a convocação de parlamentares e aliados. “Quem vai definir sobre filiação é o Valdemar Costa Neto ou alguém indicado por ele”, despistou o presidente.

Ivan Valente pede investigação sobre compra de votos de Bolsonaro para eleição de Lira

Deputado do PSOL pede apuração sobre possíveis crimes de responsabilidade e improbidade administrativa que teriam sido cometidos por Arthur Lira e pelo ministro Luiz Eduardo Ramos

Revista Fórum – O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) apresentou uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, neste sábado (20). A ação foi movida diante das revelações feitas pelo deputado ex-bolsonarista Delegado Waldir (PSL-GO) de que o governo de Jair Bolsonaro teria comprado votos para a eleição de Lira.

Waldir, que já foi fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, listou cifras e disse em entrevista a Guilherme Mazieiro, do The Intercept Brasil, que o governo pagou R$ 10 milhões em emendas por deputado para a eleição do presidente da Câmara, Arthura Lira (PP-AL), e R$ 20 milhões por voto para aprovar a Reforma da Previdência.

Para Ivan Valente, a denúncia de Waldir é “gravíssima” e deve ser apurada pela PGR. “Usar o orçamento público, de forma não transparente, para comprar o parlamento coloca em xeque a independência entre poderes, subverte a democracia, corrompe e fideliza parlamentares e quebra a isonomia”, afirmou.

247

Tucanos tentam fugir de uma escolha terrível

“O adiamento das prévias é na verdade a desculpa para que a decisão seja empurrada com a barriga, ou com a asa da direita que não sabe que via quer da vida”, analisa o jornalista Moisés Mendes sobre a escolha do candidato do PSDB a presidente

O adiamento das prévias do PSDB empurra o partido para o purgatório das suas indecisões. Para muito além das questões técnicas do aplicativo de votação, o PSDB adiou a escolha do candidato de 2022 porque assim enterra a cabeça na areia diante das opções que tem pela frente.

É nesse purgatório, com os tucanos agindo como se fossem avestruzes da terceira via, que o partido ficará acomodado, até que alguns líderes tenham a coragem de definir uma nova data e encarar uma escolha apavorante.

O PSDB apenas fingiu que não sabe fazer uma eleição interna com menos de 45 mil filiados. Porque não queria saber da verdade dessas prévias agora.

Um partido que não consegue dar utilidade a um aplicativo para votação interna, por ser incapaz de fazer a encomenda certa aos desenvolvedores do sistema, não pode achar que tem condições de governar um país com 212 milhões de habitantes.

Mas o PSDB sabia, desde o começo das suspeitas de que o aplicativo não funcionaria direito, que as prévias não seriam completadas. O partido tem medo da realidade no seu futuro imediato.

Os tucanos se comportam como um paciente às vésperas de um exame que deverá ser revelador de notícias ruins. E a notícia ruim viria com Doria ou com Leite.

Por isso o aplicativo não funcionou. Se as prévias tivessem dado certo, eles estariam agora com os olhos arregalados diante do paulista ou do gaúcho, sabendo que os dois são fardos pesados.

Doria, o homem da CoronaVac, ainda não conseguiu capitalizar nada do que o início da vacinação representou como afronta ao bolsonarismo e ao negacionismo e como esforço bem sucedido em favor da saúde pública.

E Eduardo Leite é, pela marca mais recente que leva na testa, o governador que se submeteu às ordens do general Luiz Eduardo Ramos para que levasse um recado a quem seria mais adiante seu adversário nas prévias.

Leite, por fraqueza como político, fracassou na empreitada que lhe foi entregue pelo general de Bolsonaro, para que Doria suspendesse em janeiro o começo da vacinação, enquanto morriam mais de 900 brasileiros por dia.

O tucano gaúcho está marcado como cúmplice de Bolsonaro na tentativa de sabotagem da vacina. E, ao mesmo tempo, fica como alguém frouxo para levar a missão com êxito até o fim, pela própria incompetência como mensageiro.

O PSDB está diante dessas escolhas. Um governador que não empolga com o marketing da sua vacina, e outro que constrange e envergonha por ter tentado boicotar a vacina do colega de partido.

O adiamento das prévias é na verdade a desculpa para que a decisão seja empurrada com a barriga, ou com a asa da direita que não sabe que via quer da vida.

Entre Doria e Leite, é provável até que certos tucanos desejassem mesmo ficar com Sergio Moro, que já melhorou a voz e pode crescer nas próximas pesquisas como candidato de ex-bolsonaristas, fazendeiros, banqueiros, grileiros, milicianos e classe média.

A ressaca é destruidora. A não realização das prévias do PSDB seria apenas um fiasco, se a falha não estivesse no roteiro. A pane não foi programada, mas foi tão desejada que aconteceu na hora certa.

Ninguém vai encontrar, nas notícias com cabos eleitorais dos dois candidatos, alguém que manifeste frustração. Há um sentimento de alívio.

A base do PSDB gostaria que a decisão sobre o candidato fosse no par ou ímpar, ou não teria oferecido apenas 44,7 mil filiados habilitados a votar, num contingente de 1,3 milhão.

Os outros, da imensa maioria que preferiu olhar as prévias com desprezo e ficar de fora da escolha, nem querem saber como usar o aplicativo pifado. Querem mais é aprender a usar o TikTok.

“Precisamos derrotar o bolsonarismo. Todo arranjo deve partir desta premissa”, diz Fernando Haddad

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Facebook | REUTERS/Adriano Machado)

“O Brasil não sobreviverá com mais quatro anos de Bolsonaro, nem a soberania, nem o patrimônio público e nem os direitos sociais e civis”, comentou o ex-ministro Fernando Haddad (PT)

247 – O ex-ministro Fernando Haddad (PT) disse, em entrevista à TV 247, que todo arranjo político para as eleições de 2022 deve partir da premissa de derrotar o bolsonarismo. “Primeira coisa sobre a qual nós devemos ter clareza: temos que derrotar o bolsonarismo. Começa tudo com isso. Todo arranjo deve partir desta premissa”.

“O Brasil não sobreviverá com mais quatro anos de Jair Bolsonaro, nem a democracia, nem a soberania, nem o patrimônio público e nem os direitos sociais e civis. Estamos falando de uma coisa muito séria. Um projeto que já é autoritário e ainda vai ser reeleito… não sei o que vai acontecer com o país”, destacou.

Comentando sobre possíveis alianças do PT, Haddad afirmou que “no alto das nossas prioridades, isolado, tem que estar o projeto de derrotar o bolsonarismo. Na minha opinião, antes de pensar nesses nomes, nós temos que pensar que hoje o acordo PT com PSB e PCdoB, que conseguiu aprovar federação de partidos, devemos constelar partidos, como Rede e PV, para uma chapa vitoriosa no plano nacional. Vice é uma coisa pessoal do presidente da República”.

“Vamos começar a falar do que interessa: derrotar o bolsonarismo e criar uma constelação de partidos que podem estar juntos no primeiro turno”, disse.

Bolsonaro pode causar crise pior do que Trump

Haddad ainda disse que caso Jair Bolsonaro perca em 2022, o Brasil deve viver uma situação institucional pior do que nos Estados Unidos quando Donald Trump perdeu as eleições. Trump mobilizou seus apoiadores para questionar a legitimidade das eleições e ativistas da extrema direita invadiram o Capitólio (Parlamento norte-americano).

De acordo com o ex-prefeito de São Paulo, a situação no Brasil deve ser pior, porque “as nossas instituições são mais frágeis do que as instituições norte-americanas”. Além disso, ele acrescentou que Bolsonaro “é uma pessoa muito mais tosca [do que Trump], ele tem gente mais perigosa do lado dele”. “O crime organizado é vizinho de casa do bolsonarismo… Do Bolsonaro, para ser bem honesto”, disse.

“Ele vai questionar o resultado eleitoral qualquer que seja. Se ele ganhar no segundo turno, vai alegar fraude, falando que deveria ter ganho no primeiro. Se ele perder, então… Ele é um psicopata, como todo neonazista. Isto está registrado na literatura médica [que todo neonazista tem traços de psicopatia], não é xingamento. São pessoas desequilibradas, não vai medir esforços”, destacou.

Bolsonaro “não está nem aí para o que ele vai ter que responder depois, ele não faz a conta das consequências dos seus atos”, destacou Haddad, ressaltando o genocídio causado por ele na pandemia do novo coronavírus. “Ele não tem preocupação nenhuma”, reforçou. “Vamos ter muitos problemas, por isso temos que saber dos nossos direitos cívicos. Ano que vem vai ser um ano difícil”, disse.

247

Sara Winter diz que bolsonaristas comerão merda se Bolsonaro mandar

“Não tem mais como defender”, diz ela

247 – A ex-ativista de extrema direita Sara Winter concedeu entrevista à revista Istoé, em que resumiu o fanatismo dos apoiadores de Jair Bolsonaro. “Não tem mais como defender Bolsonaro. Mas se ele pedir para os bolsonaristas comerem merda, as pessoas vão comer”. Saiba mais sobre a entrevista:

A bolsonarista arrependida Sara Winter, em entrevista à Istoé, contou que os deputados Daniel Silveira (PTB), Carla Zambelli (PSL), Sargento Fahur (PSL) e Bia Kicis (PSL), assim como o ministro-chefe do Gabinete de Segurança, general Augusto Heleno, foram muito presentes na organização do “Acampamento dos 300”, que ela organizou em Brasília com o blogueiro Oswaldo Eustáquio.

O acampamento fez parte das manifestações bolsonaristas contra as instituições da República. Segundo Winter, Kicis “ensinou a gente como chamar atenção da imprensa” e “cedeu o assessor Evandro Araújo e colocou um advogado de seu gabinete para acompanhar reuniões com a Secretaria de Segurança do Distrito Federal”.

O alvo inicial dos protestos era o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mas o ministro general Heleno interveio. “Ele pediu para deixar de bater na imprensa e no Maia e redirecionar todos os esforços contra o STF”, disse.

Ainda, ela conta que a influência de Bolsonaro era direta e que durante o acampamento foi combinado que ele não podia ser o “protagonista para não sofrer represálias”.

247

Paulo Teixeira vai pedir investigação sobre uso de avião da FAB por Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Deputado Paulo Teixeira classificou a revelação feita pela escritora Daniela Abade como “denúncia grave”. “Caso verdadeira, dois crimes foram praticados: obstrução da justiça e prevaricação. Vamos pedir investigação”, afirmou

247 – O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) classificou como “grave” a revelação de que o governo de Jair Bolsonaro facilitou a fuga para os Estados Unidos do escritor Olavo de Carvalho, que deveria prestar depoimento à Polícia Federal.

Segundo a escritora Daniela Abade, que revelou a informação, Olavo de Carvalho deixou o Brasil em um avião da FAB, que depois foi utilizado pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Na prática, o governo facilitou a fuga de um personagem que deveria prestar contas à PF.

O deputado petista afirmou que pedirá abertura de investigação da denúncia. “Caso verdadeira, dois crimes foram praticados: obstrução da justiça e prevaricação. Vamos pedir investigação”, afrmou Paulo Teixeira.

Olavo de Carvalho foi  intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito do inquérito que apura a divulgação de fake news e ataques à democracia e instituições. De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo,” a PF intimou Olavo no último dia 9 de novembro por meio de sua defesa, que informou aos investigadores que o filósofo ainda estava em tratamento de saúde”.

Poucos dias depois, ele viajou para o estado da Virgínia, nos EUA, onde mora. Nesta terça-feira (16), ele gravou um vídeo informando que viajou  “de forma repentina”.”Eu estava no hospital e me ofereceram um voo repentino para dali a 15 minutos. Eu não ia perder essa oportunidade”, disse.

Em agosto,  a PF também havia tentado ouvir o astrólogo, mas seus advogados impediram o depoimento alegando que ele estava em tratamento médico.

247

Brasil: a iminência do apocalipse ou a redenção democrática?

Ex-presidente Lula, Ciro Gomes, Sérgio Moro, João Doria, Eduardo Leite e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | PR | CNI | Secom | Reuters)

“Vamos colocar nossa energia no candidato de nossas esperanças, conscientes que, mais do que nunca, só sairemos desse impasse em que nos encontramos, elegendo um Congresso comprometido com um projeto político que favoreça a Nação brasileira”, escreve a colunista Hildegard Angel

Era o segundo governo de Lula. Num almoço de mulheres no Fasano, a dona de uma rede nacional de shopping centers dizia que eles nunca haviam vendido tanto quanto naqueles anos. O governo era criticado pelos seus opositores por favorecer os bancos, e os banqueiros pareciam amar Lula, com quem confraternizavam onde estivessem. A indústria brasileira tinha seu representante na vice-presidência, José Alencar Gomes da Silva, e as federações patronais também pareciam contentes.

Lula não perseguia a mídia, seu governo anunciava, privilegiando os grandes grupos de imprensa, não havia retaliações aos divergentes, como hoje vemos acontecer. Nos governos de Dilma, sequer foi encaminhado ao Congresso o projeto de regulação da mídia, formatado por Franklin Martins ao fim do segundo mandato de Lula, condizente com o que é feito nos países do mundo todo.

Lula é um conciliador por natureza. É considerado pelos chefes de estado do resto do mundo, é admirado, visto como um igual. Semana passada, em Bruxelas, ele mereceu aplausos de pé, longos e sucessivos, no encontro do Parlamento Europeu com lideranças latino americanas. Mereceu recepção de chefe de estado no Elysée, com a marcha da guarda do palácio e o presidente Macron descendo os degraus para ir buscá-lo (e uma hora depois levá-lo) no carro. É bem visto pela mídia internacional, inclusive pelas publicações de economia. Por que esse ódio da mídia corporativa brasileira contra ele? Esse apagamento? Esse silêncio a seu respeito? Por que estavam sendo destinados a ele apenas breves momentos, em canais por assinatura, às altas horas da noite, e quando isso acontecia? E isso só foi revertido no sétimo dia da agenda da viagem de Lula, depois da grande grita nas redes sociais, da indignação, e da chacota feita, comparando a vasta cobertura da visita pelos jornais estrangeiros e a cobertura Zero pela mídia brasileira.

Atribuem a Lula um radicalismo que ele, na prática, nunca demonstrou. Lula não é um radical. Não é comunista. É um liberal, falando francamente. Alguns o identificam como Liberal Periférico. Sua política externa é afinada com as dos demais países. Respeitado por todos. Até George W. Bush gostava dele! Em poucos dias na Europa, foi recebido pelo vencedor das eleições na Alemanha, Olaf Scholz, esteve com o líder da Social Democracia, Martin Schulz, foi aclamado no Parlamento Europeu, elogiado por Zapatero como “o que mais combateu a pobreza”, trocou ideias com o Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, foi recepcionado com batucada brasileira pelos alunos do Instituto SciencesPo, em Paris, onde almoçou com a Prefeita. Depois da França, participa hoje de seminário de Cooperação multilateral e recuperação pós-covid, em Madri, e tem agenda com o primeiro-ministro.

Lula não sai procurando briga, não dá banana e joga a casca no chão, não desanca o país dos outros, negocia com todos. Internamente, é bom para o nosso povo, se compadece do pobre. Não politiza temas sérios, como Saúde, Cultura e Educação. Desenvolveu políticas sociais mínimas, sem “exagero”, podia ser muito mais – o Bolsa-Família, como diriam os americanos, eram “peanuts” em nosso orçamento. E mesmo assim suas políticas públicas trouxeram notáveis benefícios sociais e econômicos, foram copiadas em vários países, se tornaram referência.

O saldo de seu Minha Casa Minha Vida foram casas para milhões de brasileiros, e novas grandes fortunas para poucos, como Rubens Menin, dono da MRV Engenharia, proprietário da CNN Brasil, o também mineiro Ricardo Gontijo, dono da Direcional Engenharia, os donos da Construtora Tenda, mineira também, os da Rossi Residencial, alguns desses empresários declarados admiradores de Bolsonaro.

As ditas pautas identitárias, responsabilizadas por parte da rejeição ao PT, foram muito mais de Dilma do que de Lula. Assim como foi o relatório da Comissão da Verdade, que tanto enraiveceu os militares de pijama do Clube Militar.

Lula jamais perseguiu os diferentes, nem exigiu fidelidade ideológica aos que prestam serviços ou vendem serviços ao governo. Muito menos àqueles que recorrem aos financiamentos e inventivos de bancos públicos.

247

Uma CPI em que se chorou de raiva, de dor e de vergonha

O taxista Márcio Antônio do Nascimento da Silva relata aos senadores que perdeu a irmã e o filho Hugo Dutra do Nascimento Silva, de 25 anos, ambos para a covid-19. Ele foi uma das vítimas ouvidas pela CPI da Pandemia, em 18 de outubro. EDILSON RODRIGUES (AGENCIA SENADO)

Os juristas agora poderão discutir se o termo justo para definir a conduta de Bolsonaro durante a pandemia é o de genocida. Mas o que ficou claro é que os crimes cometidos e revelados pela CPI seriam suficientes para o presidente passar muitos anos na prisão

Talvez o momento mais dramático vivido durante os meses de debate e interrogatório da CPI da Pandemia tenha sido o das dolorosas declarações dos parentes das vítimas, que chegaram a fazer chorar alguns dos senadores. Não é fácil ver lágrimas derramadas em uma dessas investigações políticas. E acontece que, desta vez, a CPI abordou uma questão central: que o presidente Jair Bolsonaro permitiu que um crime contra a humanidade fosse cometido no modo como lidou com a pandemia, chegando a transformar os doentes pelo vírus em cobaias, eventos lembram os tristes experimentos do nazismo.

Os juristas poderão, agora, discutir se o termo justo para definir a conduta de Bolsonaro durante a pandemia é o de genocida. Mas o que ficou claro é que os crimes cometidos e revelados pela CPI seriam suficientes para o presidente passar muitos anos na prisão. Ficou claro para a consciência popular e a opinião internacional, como indicam as manchetes das publicações mais importantes do mundo, que o presidente e seu Governo se tornaram indignos de continuar a liderar um país que já perdeu mais de 600.000 pessoas para o vírus, muitas delas em experimentos científicos repugnantes. Sem contar a podridão que veio à tona sobre a corrupção perpetrada com as vacinas e os medicamentos usados na pandemia.

Não acho exagero afirmar que, apesar dos últimos compromissos políticos assumidos nas resoluções finais do documento do Senado sobre a especificidade dos crimes cometidos pelo presidente contra a vida das pessoas, o que ficará para a história é que durante a pandemia a sociedade foi vítima de uma sucessão de crimes. Crimes que, de uma forma ou de outra, não poderão deixar de ser punidos pela justiça e execrados pela consciência social do país.

Bolsonaro, que tanto insiste em sua fé religiosa, deveria se lembrar do ditado popular: de que às vezes Deus escreve certo por linhas tortas. Talvez seja o que aconteceu com a CPI da Pandemia que, sem dúvida, foi a mais difícil e dramática da história do Senado. O que poderia ter terminado em um fracasso a mais da típica política de letras minúsculas revelou à sociedade as entranhas podres do comportamento criminoso do presidente.

Não se tratou apenas de exigir vingança judicial pelos crimes cometidos durante a pandemia para aqueles que deveriam ter se esforçado para salvar vidas, mas, também, de ter revelado à luz do sol o que o Brasil sofreu com seus governantes, em especial o chefe do Estado e seus ministros da Saúde. Sem dúvida, um dos momentos mais trágicos e dolorosos dos últimos tempos.

Há momentos em que um acontecimento pode acabar sendo crucial e providencial para toda a sociedade, às vezes sem que os próprios protagonistas consigam compreender sua importância. Talvez seja o que acabou de acontecer no Brasil com a CPI da Pandemia que poderia ter terminado em nada ou em um simples acordo sem consequências como quase todas as investigações dessas comissões. O documento final sobre os crimes cometidos durante a pandemia, apesar dos últimos retoques, deixa claro para a sociedade que a tragédia e os crimes cometidos pelo poder político foram maiores do que se poderia imaginar. Por isso, mais importante, talvez, do que as sutilezas linguísticas e jurídicas sobre se o caso se tratou de um genocídio no sentido literal da palavra ou de um crime contra a humanidade, o que fica claro é que o Brasil não poderia continuar a ser governado por quem brincou indignamente com aqueles que perderam suas vidas e com a dor de suas famílias.

A CPI cumpriu seu dever de investigar. As vísceras do horror foram expostas. Agora cabe à sociedade decidir se o crime contra a humanidade cometido por Bolsonaro o torna digno ou não de permanecer no poder. O grito de “Fora Bolsonaro” deveria, a partir de hoje, ressoar com mais força do que nunca nas ruas e praças do país. E sobretudo no coração de quem não renuncia a uma sociedade governada por quem ainda seja capaz de chorar à luz do sol pela dor dos outros.

Depois dos horrores durante a pandemia revelados pela CPI da Pandemia, é possível que o Brasil não seja mais o mesmo em sua responsabilidade na hora de decidir no segredo das urnas quem deve governá-lo. Talvez, diante da podridão revelada pela CPI, o mais justo seja não esperar as urnas para passar a limpo o país, que já sofreu bastante com o comportamento cruel de quem deveria ter velado pela saúde e pelo respeito à população.

EP



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