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:: ‘Brasil’

Possibilidade de autorização de uso emergencial de vacinas é aprovada pela Anvisa

Foto: Divulgação

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta quinta-feira (10) o uso emergencial, em caráter experimental, de vacinas contra a Covid-19. A informação foi divulgada pelo portal G1.

Mas apesar do posicionamento da Anvisa, nenhuma empresa submeteu pedido deste tipo à agência.

De acordo com a reportagem, Alessandra Bastos Soares, diretora da Anvisa, afirmou que o órgão ainda não recebeu nenhum pedido de uso emergencial e nem pedido de registro de vacinas. Ela também reforçou que esse pedido deve partir das empresas.

“Qualquer autorização concedida pela Anvisa, qualquer anuência, só será feita diante de um pleito. A vacina só terá autorização de uso emergencial e experimental se houver o pleito realizado por alguma empresa”, disse Soares.

A Anvisa ressalta que poderá modificar, suspender ou cancelar a autorização temporária a qualquer momento, com base em elementos técnicos e científicos, traz o G1.

Fonte: Bahia Notícias

Governo federal zera alíquota de importação de revólveres e pistolas

O governo federal decidiu zerar a alíquota de importação de revólveres e pistolas, que atualmente é de 20% do valor do produto. A mudança passa a valer a partir de janeiro de 2021.

A resolução da Câmara de Comércio Exterior que contém a medida foi publicada no “Diário Oficial da União” (DOU) desta quarta-feira (9), um dia após deliberação na 11ª reunião extraordinária do colegiado.

A isenção da alíquota não se aplica a alguns tipos de armas, como as que são carregadas exclusivamente pela boca, pistolas lança-foguetes, revólveres para tiros de festim e armas de ar comprimido ou de gás.

Ao zerar a taxa de importação, o Brasil incluiu revólveres e pistolas numa lista de exceção para produtos com tarifas diferentes daquelas praticadas pelos outros países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai). O Mercosul adota uma Tarifa Externa Comum (TEC) para uma série de bens, mas existe a possibilidade de um país membro ter uma lista de exceção, com valores diferentes.

Desde o início de seu mandato, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro tomou medidas para flexibilizar a posse e o porte de armas pela população, conforme havia prometido em sua campanha à presidência da República, em 2018.

Rodrigo Maia e Alcolumbre – como fica a sucessão

Governadores esperam que Pazuello anuncie múltiplas vacinas em reunião nesta terça

Governadores esperam que Pazuello anuncie múltiplas vacinas em reunião nesta terça

Governadores têm encontro marcado nesta terça-feira (8) com o ministro Eduardo Pazuello (Saúde). A expectativa deles é que o governo federal anuncie o compromisso de adotar múltiplas vacinas na imunização da população contra a Covid-19. Até o momento, o Ministério da Saúde tem apostado na vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, a ser fabricado na Fiocruz. Mas a perspectiva é a de que o imunizante só fique pronto em março.

João Doria (PSDB-SP) anunciou que deve começar em janeiro a vacinação da coronavac, produzida pela chinesa Sinopec no Instituto Butantan. Nesta semana, o Reino Unido inicia a imunização em massa com a americana Pfizer. Diante do avanço em outras frentes, os governadores pressionam Pazuello a comprar vacinas de outros laboratórios, o que é alvo de resistência de Jair Bolsonaro, que já declarou que o Brasil não compraria a vacina chinesa.

No fim de semana, os conselhos de secretários estaduais e municipais de saúde divulgaram uma carta aberta, em que defendem que todas vacinas que tenham segurança e eficácia devem ser empregadas e que o governo deve comandar a organização para a compra de materiais e a estratégia de vacinação.

“A falta de coordenação nacional, a eventual adoção de diferentes cronogramas e grupos prioritários para a vacinação nos diversos estados são preocupantes, pois gerariam iniquidade entre os cidadãos das unidades da federação, além de dificultar ações nacionais de comunicação e organização da farmacovigilância”, diz a carta.

 

Fonte: Bahia Notícias.

Anvisa começa a inspecionar fábrica da vacina contra a Covid da AstraZeneca

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que começou nesta segunda-feira (7) a inspeção na fábrica da farmacêutica britânica AstraZeneca, que desenvolve uma vacina contra a Covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford. A inspeção faz parte do processo para que um imunizante seja registrado no país.

Esse imunizante é a grande aposta do governo brasileiro contra a Covid-19. O Brasil já adquiriu cerca de 100 milhões de doses dessa vacina, das quais 15 milhões estão previstas para chegar ao país em janeiro.

Essa é a quantia que será usada na primeira fase do plano de vacinação do governo federal, anunciado na semana passada. A primeira etapa incluirá profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, população indígena e quem tem mais de 60 anos e vive viva em asilos ou instituições psiquiátricas.

Depois, a vacina deverá ser produzida pela Fiocruz, que firmou com os produtores um acordo para transferência de tecnologia.

Mas embora o imunizante tenha saído na frente na corrida, uma vez que já vinha sendo testado para outros coronavírus, sua média de eficácia foi de 70%, tirada a partir de dois valores –62%, que seria o oficial, e 90%, relativo ao grupo que recebeu apenas metade da dose planejada na primeira das duas injeções.

Ao analisar e divulgar esses dados, a AstraZeneca não soube explicar por que uma dose menor da vacina se traduziu em mais eficácia e, depois de receber questionamentos de todos os lados, admitiu erro e deve conduzir novos estudos.

A inspeção na fábrica da AstraZeneca, localizada na China, acontece na semana seguinte à averiguação das boas práticas de fabricação na unidade de fabricação da Sinovac, cuja vacina foi adquirida pelo governo do estado de São Paulo.

As atividades de inspeção seguirão até sexta-feira (11) na planta da Wuxi Biologics, localizada na cidade de Wuxi.

“No primeiro dia de inspeção, a equipe verificou os pontos do sistema de gestão da qualidade farmacêutica da empresa, como o gerenciamento de risco, gerenciamento de documentos e plano mestre de validação”, disse a agência brasileira, em nota.

Os técnicos ainda verificaram requisitos técnicos de bancos celulares (como partículas virais e células hospedeiras usadas na fabricação das vacinas) e os locais de armazenamento dos produtos que são exportados ao Brasil.

“Outra parte da equipe dedicou-se à verificação dos requisitos técnicos aplicáveis aos procedimentos de amostragem de matérias-primas, qualificação de fornecedores, sistema de numeração de lotes e qualificação de transporte”, afirma o texto.

“Por último, foi realizada a inspeção física das instalações destinadas aos sistemas de geração e distribuição de água para uso farmacêutico e vapor puro, os sistemas de aquecimento, ventilação e tratamento do ar condicionado e os sistemas de ar comprimido. A documentação técnica relativa a esses sistemas também foi inspecionada, incluindo os procedimentos de monitoramento microbiológico das áreas limpas e do pessoal”, completa a nota.

Além das vacinas da Sinovac e AstraZeneca, há outras duas na terceira e última fase de testes clínicos realizados no Brasil: a da americana Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, e a da Janssen-Cilag.

A Anvisa adotou recentemente o método de submissão contínua dos documentos referentes aos testes, uma forma de agilizar o processo de registro.

Além disso, na quarta-feira da semana passada, a agência anunciou que vai analisar pedido para a emissão de autorização de uso emergencial das vacinas contra a Covid-19. Diferentemente dos registros, essa autorização será concedida para medicamentos ainda em fase de testes e as vacinas poderão ser aplicadas apenas em grupos específicos da população, e não em massa.

Maia diz que Legislativo definirá plano de vacinação contra a Covid-19 com ou sem governo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (7), segundo informações do portal G1, que a sociedade “entrará em pânico” se o Brasil não tiver um plano de vacinação contra a Covid-19 e que o Poder Legislativo definirá uma estratégia com ou sem a participação do governo.

“As pessoas vão começar a entrar em pânico se o Brasil ficar para trás nessa questão de ter um plano, uma estratégia clara e objetiva. É bom que isso seja feito com o governo. Eu disse já ao presidente Bolsonaro. Mas nós vamos avançar de qualquer jeito, até porque o Supremo também vai avançar. E acho que o melhor caminho é que se faça de maneira integrada entre Executivo, Legislativo e, depois, a decisão final do Supremo”, afirmou.

De acordo com Maia, pesquisas que monitoram o comportamento da população brasileira nas redes sociais mostram “certo pânico” na sociedade em relação ao acesso à vacina. Ainda segundo o presidente da Câmara, famílias de alta renda já cogitam viajar para tomar a vacina no exterior, em países que já têm previsão de vacinação.

“É muito grave que o Brasil não defina logo um plano, não resolva de forma definitiva qual é o caminho e como o governo vai trabalhar e também como é que vai orientar o setor privado a trabalhar em relação às vacinas”, afirmou.

Segundo o presidente da Câmara, caso o governo não determine um calendário, o Legislativo deve tomar alguma medida ainda neste ano. “Junto com o governo é o ideal, mas, certamente, deve se tomar a iniciativa rápido”, disse.

Uma lei aprovada em maio deste ano pelo Congresso estabelece prazo de 72 horas para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize, de forma excepcional e temporária, a importação e a distribuição de medicamentos e insumos para o combate à Covid-19 que já tenham sido aprovados por algumas autoridades estrangeiras. Maia disse que, “em tese”, essa lei poderia ser aplicada para antecipar a aprovação das vacinas por parte da agência.

Fonte: Bahia Notícias

ENTREVISTA: ‘PT FOI FUNDADO NUM MUNDO QUE ESTÁ INDO EMBORA E PRECISA DE MUDANÇA GERACIONAL’, DIZ JAQUES WAGNER

Senador diz que partido perdeu contato com as próprias bases e ainda não consegue falar a um trabalhador cada vez mais informal e isolado.

O PARTIDO DOS TRABALHADORES “estancou a queda” que vinha sofrendo nas urnas desde 2016. Mas, para seguir relevante, precisa rejuvenescer e recuperar o trabalho de formação de bases que foram seu diferencial nos primeiros anos de vida, afirma o senador e ex-governador da Bahia Jaques Wagner, de 69 anos.

O PT sai das urnas em 2020 pequeno como nunca em eleições municipais. Fundada em 1980, a legenda jamais havia deixado de eleger ao menos um prefeito em capitais desde que as eleições nessas cidades passaram a ser diretas, em 1985. Aconteceu agora.

Apenas 183 cidades brasileiras serão governadas a partir de 2021 por um prefeito petista. Comparado com o resultado eleitoral de 2012, é uma queda de impressionantes 71% – naquele ano, o PT saiu das urnas com o comando de 637 municípios. Mas em 2012 a economia apenas começava sua trajetória de queda e não se imaginava que dali a um ano as ruas seriam tomadas primeiro por jovens furiosos com aumentos do preço do transporte público e depois pela classe média empunhando bandeiras moralistas. E lava jato ainda era apenas o termo usado nalgumas regiões do país para o serviço de lavagem de automóveis.

Mesmo comparado com 2016, auge da operação que àquela altura já tinha pintado um alvo nas costas de Lula, o PT encolheu nas prefeituras. Naquele ano, foram 255, quase 40% mais que agora. Também é verdade que, por outro lado, o partido ao menos parou de perder votos – de menos de 13 milhões em 2016, passou a 14 milhões em 2020.

A presidente do PT, a deputada federal paranaense Gleisi Hoffmann, tentou enxergar boas notícias nos resultados. Wagner é mais realista. “Óbvio que tem problemas, que não tivemos um desempenho exuberante. Em São Paulo, fizemos quatro prefeituras”, avaliou, numa entrevista de mais de uma hora ao Intercept. O estado tem 645 cidades.

Apesar de tentar minimizar o mau resultado (“Quem é que vota num prefeito porque ele é do PSDB ou do PT? Essa é outra tentativa de jogar poeira nos olhos das pessoas”), Wagner não se furtou a uma análise dura sobre a atual situação do PT e da esquerda.

“O PT foi fundado num mundo que está indo cada vez mais embora. Por isso é que falo que precisamos de uma mudança geracional”, falou. “A gente ainda não

atualizou a agenda do mundo do trabalho”, admitiu, questionado sobre como um partido nascido no sindicalismo de categorias numerosas fará para se conectar com um trabalhador cada vez mais informal e uberizado.

Essa mudança já está se manifestou eleitoralmente com a ascensão de Guilherme Boulos, que o senador considera o líder da esquerda brasileira “com a visão mais antenada com os problemas contemporâneos”. “Boulos pisa um movimento que é típico da sociedade contemporânea, de moradores de rua, sem teto. O dia a dia dele é na rua. Acho que ele tem essas vantagens comparativas: a da geração [a que pertence] e do tipo de movimento que ele tem”.

Wagner também fez avaliações fadadas a despertar a ira de boa parte da esquerda, como a de que a chamada “agenda identitária” ocupou, a seu ver, lugar excessivo na pauta política e que isso, segundo ele, isso teria acuado setores mais conservadores que em seguida se identificaram com a língua chula de Jair Bolsonaro.

Ao avaliar o cenário eleitoral para 2022, o senador guardou afagos ao governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, e caneladas a Ciro Gomes, do PDT. “Para que ele precisa bombardear o PT? Eu queria entender. É para se credenciar com a direita? Esse caminho eu já vi tanta gente fazer e [depois] ficar sozinho na estrada…”.

Também admitiu arrependimentos na trajetória política, iniciada no movimento estudantil do Rio de Janeiro, onde nasceu e estudou engenharia civil na PUC. A perseguição da ditadura o levou a se esconder na Bahia, onde acabou por se fixar. Ali, foi um dos fundadores do PT na Bahia, em 1980. Pelo partido, foi deputado federal por três mandatos e governador do estado por oito anos. Também serviu a Lula e Dilma Rousseff como ministro em quatro pastas diferentes. Em 2018, foi eleito senador.

“Se você me perguntar do que me arrependo de não ter feito, é a reforma [política]”, falou, se referindo a uma iniciativa que pudesse reduzir o número de partidos e baratear campanhas eleitorais. “A gente achou que, por estar no governo, mesmo com uma lei anacrônica a gente ia conseguir conduzir. Óbvio que não conduziu. O financiamento de campanha, como era? Deu no que deu”, lamentou.

Como outras figuras do PT, Wagner é ele próprio alvo da operação Lava Jato. Carioca que construiu a carreira política na Bahia, terra das empreiteiras Odebrecht e OAS, ele foi apontado em 2018 como destinatário de R$ 82 milhões em propinas e pagamentos em caixa dois nas obras da Arena Fonte Nova, estádio da Copa do Mundo.

Mas a investigação que mira o senador, como outras da Lava Jato, está contaminada pela suspeita de ser politicamente motivada. A Folha de S.Paulo mostrou, em parceria com o Intercept, que o procurador Deltan Dallagnol quis acelerar operações contra Wagner por “questão simbólica” dias antes do segundo turno da eleição presidencial de 2018. O inquérito foi paralisado por ordem do tribunal federal de segunda instância.

Intercept – Pela primeira vez desde que existe, o PT disputou uma eleição municipal nas capitais e não elegeu um único prefeito. Alberto Cantalice, diretor da Fundação Perseu Abramo e integrante da direção nacional, escreveu que não enxergar essa derrota é “teimosia e autoengano”. O senhor concorda com ele?

Jaques Wagner – Essa abordagem deixa de fora uma série de coisas. Evidente que todo mundo gostaria de governar uma capital, mas eu não acho que isso, por si só, indique que o partido está enterrado, ou em queda livre. Se a gente estava em queda, em 2016, eu diria que a eleição de 2020 estancou [a queda]. A gente saiu do mesmo tamanho que tinha. Reconheço que tivemos uma derrota grande em 2016. Em 2020, diminuiu o número de vereadores [eleitos pelo PT], mas não o número de votos [recebidos pelo partido]. Nem o tamanho da população governada pelo PT.

Óbvio que tem problemas, que não tivemos um desempenho exuberante. Em São Paulo, fizemos quatro prefeituras. Mas conquistamos 91 no Nordeste, metade das prefeituras que o PT ganhou. O Psol ganhou Belém. Mas ganhou o partido ou o Edmilson [Rodrigues, prefeito eleito e ex-filiado ao PT]? O pessoal não votou nele porque é do Psol. Essa é outra tentativa, na minha opinião, de jogar poeira nos olhos das pessoas. Quem é que vota num prefeito porque ele é do PSDB ou do PT? Tá cheio de gente que se filiou a um partido porque era o que estava livre para disputar a eleição.

 

Acho também que se está ponderando pouco a interferência de tudo o que está acontecendo na cabeça das pessoas. Não é à toa que deu dois terços de reeleição [de prefeitos que buscaram um novo mandato]. Num momento como o atual, todo mundo procura um abrigo mais seguro, e o abrigo mais seguro é o poder público. E tudo que era proibido como fisiologismo ficou autorizado a partir de abril por causa da covid-19: distribuir cesta básica, fazer licitação emergencial, fazer obras à noite. Também não teve [campanha na] rua. Lula, que é um cabo eleitoral importante, não pode circular. Ele gravou muito vídeo, mas não é a mesma coisa que fazer um comício, juntar gente, animar plateia.

Acho precipitado, até enganoso, projetar [a eleição de] 2022 a partir da de 2020. E também que, se não vamos [no PT] ter uma retomada em V, vamos ter uma retomada em U. Por vários motivos. Primeiro, tudo o que sofremos de acusação – com base em coisas reais e irreais – ficou na cabeça de uma porção de gente. Esse troço vai decantando com o tempo. O cara fala: “eles fizeram merda, mas todo mundo faz na política. Não tem político santo”. E o [Sergio] Moro deu uma bela contribuição, indo virar sócio-diretor de quem está administrando a massa falida que ele produziu. É de um cinismo fora do comum.

Agora, não enxergar que o PT precisa fazer novos caminhos, [de] mudança geracional, rejuvenescimento… Veja a média de idade de quem se elegeu nas capitais. Tá cheio de gente nova. Isso não é desprezo de quem fez. Para falar da declaração que dei e polemizou: o lugar do Lula na história está cravado. Claro que ele pode participar [do debate interno e do processo eleitoral], mas óbvio que temos que criar novos quadros. Temos que ter uma agenda mais moderna…

Já que o senhor entrou nesse assunto: antes da entrevista, conversei com integrantes que estão no PT praticamente desde a fundação mas sempre militaram em correntes que não o campo majoritário, Construindo um Novo Brasil, de Lula, José Dirceu, e Gleisi Hoffmann. Ouvi que o PT não conseguiu entender o que aconteceu com as mudanças no mundo do trabalho, com o encolhimento do operariado e o crescimento do setor de serviços, do trabalho autônomo, do MEI, do informal. A interlocução com o trabalhador, que ocorria via sindicato, encolheu. O senhor concorda?

Em parte, sim. A gente ainda não atualizou essa agenda do mundo do trabalho. Em Los Angeles, votaram em plebiscito uma lei perguntando se o motorista deve ou não ser funcionário do Uber. Para minha surpresa, deu não. O Uber gastou milhões nisso, provavelmente dizendo ao usuário que a corrida ficaria mais cara. Acho que [tornar o motorista um funcionário] nem é a forma mais eficiente [de proteger o trabalhador]. Acho que não é uma relação capital-trabalho. Mas você não pode largar o cara ao “Deus dará”, [dizer que] se quebrar o carro ou a bicicleta, morra de fome. Tem que ter um contrato, um fundo [de suporte].

O PT foi fundado num mundo que está indo cada vez mais embora. Por isso é que falo que precisamos de uma mudança geracional. Óbvio que eu acompanho, uso tudo isso, mas minha neta está cem vezes na minha frente. Veja o Bruno Covas, a moçada em volta dele, seus secretários, têm 30, 40 anos. Estão com plena energia. É diferente. As pessoas ou vão entender isso ou vão ficar falando de outros tempos. Mas acho que o PT já está entendendo isso.

Todo mundo sabe que o mundo do trabalho hoje é outro. Não tem tanta porta de fábrica como tinha antes. Tem muito turismo, muito serviço, muito comércio. E pessoal fala que temos que usar redes. Mas não é só usar um aplicativo, é mudar também a embocadura, senão você faz um discurso velho numa plataforma nova.

O campo majoritário, que comanda o partido desde o final dos anos 1990 e seguirá até pelo menos 2023, está de alguma forma asfixiando a mudança geracional no PT?

Eu não sou de tendência nenhuma no PT, e acho que elas sim é que asfixiam o PT. E todas funcionam da mesma forma. É aí que começa o problema. Alguém quer se filiar ao PT e logo vai ter cinco caras querendo puxar cada qual para sua tendência. Quando se vai para um congresso do PT, em que deveria haver um debate, todo mundo já chega com a opinião pré-formada. Prevalece a posição da tendência em vez do fruto do debate.

A reforma trabalhista de Michel Temer extinguiu o imposto sindical e colocou muitos sindicatos em situação de penúria. Qual a relação disso com o encolhimento eleitoral do PT?

Realmente fragilizou a estrutura econômica dos sindicatos. E não foi colocado nada no lugar dele. É um outro problema, que não soubemos enxergar. Se um movimento [de trabalhadores] não tem a menor estrutura para se organizar, temos uma desigualdade estúpida [com o patronato]. Mesmo que o imposto sindical do sindicalismo patronal também tenha acabado, ele tem tem vasos comunicantes com o sistema S. Os empresários têm muito mais estrutura que os trabalhadores.

O que o PT e a esquerda têm hoje a oferecer ao brasileiro que dirige Uber, que entrega comida por aplicativo usando a própria moto ou até a bicicleta para isso?

É uma natureza muito diferente [de trabalho]. Ele trabalha muito disperso. É cada um para o seu lado. Temos que sentar com esse pessoal para que exista um mínimo de estrutura. O cara não pode trabalhar debaixo de sol e chuva e, se fica doente, não tem nada que o acolha. Mas acho que isso não é [uma pauta] só [para] a esquerda. Mesmo os liberais mais arejados já estão mudando a pauta. Nos EUA, Bernie Sanders não foi candidato, mas deu muitas contribuições ao discurso de Joe Biden, que está tentando abraçar o Green New Deal.

Infelizmente, os liberais brasileiros estão sempre indo num sentido do qual o povo já está voltando. A gente está sempre atrasado. O discurso do Paulo Guedes é um discurso que o pessoal já abandonou. Estive nos EUA debatendo com o pessoal do Sanders, falando de uma nova política monetária, e aqui temos o teto dos gastos. Lá fora há uma tendência de que os serviços de saneamento voltem a ser públicos. Aqui se diz que basta privatizar para resolver tudo. Daí precisa vir a covid-19 para as pessoas entenderem qual a importância do SUS e o apagão no Amapá para ver que a privatização não é o que se diz.

Fonte: The Intercept Brasil

Bolsonaro insiste em criticar voto eletrônico

Ao votar hoje de manhã na zona oeste do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro defendeu o voto impresso, sem apresentar prova alguma de que existe fraude no sistema eleitoral brasileiro

Jair Bolsonaro votou nesta manhã na zona oeste do Rio de Janeiro, ocasião que aproveitou para pôr em dúvida a credibilidade das urnas eletrônicas.

Sem apresentar provas de que existe fraude, ele disse: “Eu espero do sistema eleitoral brasileiro que em 2022 tenhamos um sistema seguro, que possa dar garantias ao eleitor que em quem ele votou o voto foi efetivamente para aquela pessoa. O voto impresso é uma necessidade, as reclamações são demais. Eu estou vendo trabalho de hacker aqui e em qualquer lugar. A apuração tem que ser pública. Quem não quer entender isso, eu não sei o que pensa da democracia”.

Bolsonaro também revelou à imprensa que seu voto foi para Crivella (Republicanos): “Eu votei no Crivella, todo mundo sabe disso. Fiz carreata, comício para alguém? Discretamente meu nome para alguns candidatos e o povo decidiu”, disse, como reportado no Uol.

 

Felipe Neto descobre que a mídia corporativa é tucana

Em seu Twitter, o influencer disse que alguns veículos de comunicação poderiam até tatuar o logo do partido

influencer Felipe Neto fez uma postagem em seu Twitter onde parece estar surpreso com o fato da mídia corporativa ter um viés tucano.

“É inacreditável como mts (sic) dos grandes veículos de comunicação e MUITOS jornalistas são tucanos”, disse.

Confira a postagem completa abaixo:

TSE analisa casos de violência nas eleições 2020; estudo revela 107 assassinatos

Após afirmar que crime político não é problema do Tribunal Superior Eleitoral (STE), o presidente da do órgão, ministro Luís Roberto Barroso, orientou a equipe de técnicos da Corte a levantar os casos de violência ligados às disputas municipais. 

Segundo Estadão, por decisão de Barroso a Assessoria Especial de Segurança e Inteligência divulgou um relatório parcial apontando 99 casos de homicídio ou tentativas de assassinato de pré-candidatos e candidatos neste ano. Porém, o tribunal não apresentou dados específicos e concretos sobre os assassinatos nas disputas pelo poder.

A reportagem ressalta que a gestão de Barroso na presidência do TSE coincide com o período mais violento na política dos últimos 40 anos de democracia. Monitoramento do Estadão mostra que o País registrou, em 2020, o maior número de mortes por motivações políticas desde a Lei de Anistia e o início da redemocratização, em 1979. De janeiro a novembro, foram 107 assassinatos. Das vítimas, 33 eram pré-candidatos e candidatos a prefeito e a vereador.

O estudo do tribunal aponta que houve um salto de crimes na política desde 2016, quando 46 candidatos e pré-candidatos teriam sido vítimas de atentado, sem dar detalhes. O monitoramento do Estadão, no entanto, destaca que, naquele ano, só o número de homicídios consumados de candidatos e pré-candidatos chegou a 47 casos.



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