O STF não deve cair nessa armadilha, na avaliação do jornalista. Ele também diz que, apesar de os desembargadores do TRF-4 terem dado “demonstração de animosidade contra Lula”, “podem ser poupados pelo STF. Seria a continuidade do golpe”. Assista

Depois do editorial da Folha de S. Paulo hoje, reconhecendo a parcialidade de Moro, e de manifestações de jornalistas de direita, como Merval Pereira, da Globo, parece não haver mais dúvida de que o STF declarará a parcialidade de Moro, opinou o jornalista Joaquim de Carvalho, durante participação no Bom Dia 247 deste sábado (27).

Segundo ele, isso não significa, porém, o resgate da democracia plena no Brasil e a devolução dos direitos políticos ao ex-presidente. “Vão declarar o Moro suspeito”, disse. “Mas estão preparando Lula fora das eleições com a condenação em Atibaia”, completou.

A Folha se apega à condenação do caso do sítio de Atibaia para defender que Lula continua proibido de disputar eleições. “Não parece inevitável estender automaticamente as nulidades a todas as provas produzidas e a outros processos envolvendo o ex-presidente —como o do sítio de Atibaia (SP), que já rendeu condenação no TRF-4— e outros réus. “Pas de nullité sans grief” (não há nulidade sem que se prove o prejuízo), diz o velho brocardo jurídico”, escreveu o jornal.

O STF não deve cair nessa armadilha, na avaliação de Carvalho. No caso do sítio de Atibaia, 90% da instrução processual foram conduzidos diretamente por Moro.

Depois que foi escolhido por Bolsonaro para ser ministro da Justiça, ele recebeu Gabriela Hardt, sua substituta no caso, em audiência no Ministério da Justiça.

Na sentença em que condenou Lula, Gabriela Hardt copiou trechos inteiros da sentença do caso do apartamento do triplex.

O jornalista disse também que Edson Fachin pode ter pautado HCs sobre a parcialidade dos desembargadores Carlos Thompson Flores e João Pedro Gebran Neto para tentar reforçar a condenação de Lula no caso do sítio.

“Os dois deram demonstração de animosidade contra Lula, mas podem ser poupados pelo STF. Seria a continuidade do golpe”, disse Joaquim de Carvalho.